Recém-nascido do sexo masculino, de 15 dias de vida, comparece à Unidade Básica de Saúde para consulta de rotina. A mãe tem 40 anos, é quartigesta com três cesarianas anteriores, hipertensa crônica, recebeu assistência pré-natal adequada, tendo apresentado diabetes gestacional controlada com dieta. Não há antecedente familiar de surdez permanente e os pais não são consanguíneos. A criança nasceu com 37 semanas e 2 dias de idade gestacional, de parto cesariano com peso de 2.700 g, APGAR 7/9/10, permanecendo internada devido à icterícia neonatal tratada com fototerapia. Recebeu alta da maternidade no quinto dia de vida, com icterícia zona II de Krammer, sem outras alterações ao exame clínico.
A pegadinha central é considerar qualquer fototerapia como indicador de risco auditivo.
Sem indicador de risco: emissões otoacústicas. Com indicador de risco: potencial evocado auditivo de tronco encefálico.
A meta da triagem é testar até 1 mês, confirmar o diagnóstico até 3 meses e iniciar intervenção até 6 meses.
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Contexto
A Triagem Auditiva Neonatal deve ser concluída até o primeiro mês de vida. As Diretrizes de Atenção da Triagem Auditiva Neonatal do Ministério da Saúde separam o protocolo conforme a presença de indicadores de risco para deficiência auditiva. Entre os principais estão internação em unidade neonatal por mais de cinco dias, história familiar de surdez permanente na infância, infecções congênitas, malformações craniofaciais, uso de medicamentos ototóxicos e hiperbilirrubinemia grave que exija exsanguineotransfusão.
Neste caso, fototerapia isolada não constitui indicador de risco. O recém-nascido permaneceu internado até o quinto dia, sem informação de permanência superior a cinco dias ou de cuidados intensivos, não tem história familiar relevante, nasceu com peso adequado e apresenta exame normal. Portanto, deve seguir o fluxo destinado a crianças sem indicador de risco.
A triagem inicial nesse grupo é feita por emissões otoacústicas evocadas, que avaliam a função das células ciliadas externas da cóclea. O potencial evocado auditivo de tronco encefálico é preferido como teste inicial quando há indicador de risco, pois também detecta alterações neurais, incluindo espectro da neuropatia auditiva.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. A classificação como criança sem risco está correta, mas o exame inicial indicado para esse grupo é a emissão otoacústica, não o potencial evocado auditivo de tronco encefálico.
B) Correta (gabarito). O recém-nascido não apresenta indicador de risco e deve realizar emissões otoacústicas até 30 dias de vida.
C) Incorreta. Fototerapia isolada não transforma o recém-nascido em criança de risco auditivo. O indicador relacionado à icterícia é hiperbilirrubinemia suficientemente grave para exigir exsanguineotransfusão.
D) Incorreta. Além de classificar indevidamente a criança como de risco, indica um protocolo que não corresponde aos dados do caso.