Câncer de colo do útero e rastreamento

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Questão 28
USP-SP · 2023

Paciente, 30 anos, homem transgênero com preservação da vagina. Vida sexual com penetração vaginal, contracepção com DIU de cobre, sem uso de preservativo. Faz uso de terapia hormonal androgênica. Realiza coleta de citologia oncótica.

Qual a implicação do ambiente androgênico na avaliação dos achados citológicos?
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

Pessoas transmasculinas que preservam o colo uterino devem participar do rastreamento cervical conforme idade, histórico e método recomendado para qualquer pessoa com colo. A terapia com testosterona não elimina o risco relacionado ao HPV e não substitui o rastreamento.

A testosterona reduz o estímulo estrogênico no epitélio cervicovaginal e produz padrão atrófico. A citologia passa a mostrar maior representação de células basais e parabasais, menor maturação em células intermediárias e superficiais, baixa celularidade e maior dificuldade de interpretação. Alterações reparativas e atróficas também podem simular atipias.

O Committee Opinion do ACOG sobre cuidado de pessoas transgênero e de gênero diverso, de 2021, reconhece que a atrofia associada à testosterona dificulta o rastreamento e que amostras insatisfatórias são muito mais frequentes. Na linguagem da questão, isso corresponde a pior acurácia diagnóstica, embora tecnicamente o problema mais direto seja menor adequação da amostra e maior incerteza interpretativa.

O laboratório deve ser informado sobre o uso de testosterona. Quando a amostra é insatisfatória, ela não deve ser considerada negativa; é necessário repetir conforme o protocolo vigente e considerar estratégias que reduzam desconforto e atrofia antes da nova coleta.

Alternativa por alternativa

A) Incorreta. Há redução das células superficiais, mas isso não melhora a acurácia. A atrofia aumenta amostras paucicelulares e interpretações difíceis.

B) Incorreta. A testosterona não aumenta a maturação superficial. O ambiente hipoestrogênico reduz células superficiais.

C) Incorreta. Células basais e parabasais tornam-se relativamente mais numerosas, não menos, e a qualidade diagnóstica não melhora.

D) Correta (gabarito). O padrão atrófico aumenta a representação de células basais e parabasais e piora a adequação e a interpretação citológica.

Bizu MedBoard
  • A pegadinha central é pensar que testosterona aumenta células superficiais por ser um hormônio sexual.

  • Testosterona gera hipoestrogenismo local, atrofia, células basais e parabasais e mais amostras insatisfatórias.

  • Amostra insatisfatória não equivale a rastreamento negativo.

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Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Câncer de colo do útero e rastreamento” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
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