A mãe de uma lactente do sexo feminino de 18 meses de idade refere que, há 15 dias, sua filha apresentou um episódio de crise convulsiva tônico-clônica generalizada, com duração de 8 minutos; o quadro foi acompanhado de febre de 38,5°C. Procurou Pronto Atendimento na ocasião e, após 6 horas em observação, foi dada alta hospitalar com medicação apropriada para o tratamento de otite média aguda. A criança nunca havia apresentado episódio convulsivo até então e não voltou a apresentar novas crises. Nasceu a termo, sem intercorrências no período perinatal e a mãe nega doenças relevantes prévias. Na consulta atual, apresenta exame clínico normal.
A pegadinha central é pedir eletroencefalograma após toda crise associada a febre.
Simples: generalizada, menos de 15 minutos e uma única vez em 24 horas.
Crise focal, duração igual ou superior a 15 minutos ou recorrência em 24 horas define convulsão febril complexa.
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Contexto
A crise ocorreu aos 18 meses, associada a febre de 38,5 graus Celsius, foi tônico-clônica generalizada, durou 8 minutos e não se repetiu em 24 horas. Esses dados preenchem os critérios de convulsão febril simples: idade entre 6 meses e 5 anos, crise generalizada, duração inferior a 15 minutos, episódio único no mesmo quadro febril e recuperação neurológica completa.
Na criança previamente saudável, com desenvolvimento normal e exame neurológico atual sem alterações, a investigação deve concentrar-se na causa da febre. Tomografia, eletroencefalograma e anticonvulsivante profilático não reduzem o risco de recorrência nem predizem adequadamente epilepsia após uma convulsão febril simples.
A família deve receber orientações sobre posicionar a criança de lado, afastar objetos, não introduzir nada na boca e procurar emergência se a crise durar 5 minutos ou mais, houver repetição, focalidade, dificuldade respiratória ou recuperação incompleta. Antitérmicos podem melhorar o conforto, mas não previnem de forma confiável novas convulsões febris.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Neuroimagem é reservada para sinais neurológicos focais persistentes, trauma, suspeita de hipertensão intracraniana ou outra causa estrutural.
B) Incorreta. Profilaxia contínua ou intermitente não é recomendada após evento simples, pois os efeitos adversos superam o benefício de reduzir recorrências geralmente benignas.
C) Incorreta. O eletroencefalograma não é indicado de rotina, não prevê recorrência de convulsão febril e não modifica a conduta desta criança.
D) Correta (gabarito). A criança está assintomática, com exame normal e teve uma convulsão febril simples isolada. O seguimento deve ocorrer nas consultas pediátricas habituais, com orientação familiar.