Paciente de 9 anos, sexo masculino, asmático e portador de anemia falciforme, está internado na enfermaria da pediatria devido ao quadro de exacerbação asmática, associada à infecção das vias aéreas superiores. Na admissão, apresentava sibilos difusos, saturação 92% em ar ambiente, desconforto respiratório leve/moderado, com exame de imagem normal. No segundo dia de internação hospitalar, o paciente começou a se queixar de piora da falta de ar, dor em membros inferiores e na região torácica, de forte intensidade (nota 9/10 na escala numérica de dor). Sem febre ou outros sintomas associados. Ao exame clínico, encontra-se hidratado, descorado 2+, com saturação de 92% em Venturi 50%, FC: 90 bpm, FR: 32 irpm, PA: 96x50 mmHg; apresenta desconforto moderado com ausculta mantida em relação ao último exame. Sem febre associada.
A pegadinha central é descartar síndrome torácica aguda porque a radiografia inicial era normal.
Dor falciforme intensa exige opioide precoce e reavaliação em intervalos curtos.
Nova dor torácica, piora da hipoxemia ou aumento do esforço respiratório exigem repetir a imagem pulmonar.
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Contexto
A criança com doença falciforme desenvolveu dor torácica e em membros inferiores de intensidade 9 em 10, além de piora da dispneia e necessidade de oxigênio muito maior. O quadro reúne uma crise vaso-oclusiva dolorosa grave e suspeita de síndrome torácica aguda em evolução. A ausência de febre não exclui essa complicação.
A American Society of Hematology, em sua diretriz de dor na doença falciforme de 2020, recomenda opioide parenteral para dor intensa, com administração rápida e reavaliações frequentes para titulação. Analgésico simples ou anti-inflamatório pode ser adjuvante, mas não deve atrasar o opioide em uma dor classificada como 9 em 10.
Síndrome torácica aguda é definida pela presença de novo infiltrado pulmonar associado a sintomas como dor torácica, tosse, febre, taquipneia ou hipoxemia. A radiografia inicial pode ser normal e o infiltrado surgir horas depois. Por isso, a piora respiratória e a dor torácica exigem repetição imediata da imagem, além de monitorização, espirometria de incentivo, investigação infecciosa e tratamento específico conforme os achados.
Alternativa por alternativa
A) Correta (gabarito). A dor grave exige opioide, com reavaliação em cerca de 30 minutos para nova titulação. A piora da hipoxemia e a dor torácica justificam repetir a radiografia para pesquisar infiltrado novo de síndrome torácica aguda.
B) Incorreta. Paracetamol ou dipirona isolados são insuficientes para dor 9 em 10. Não repetir a imagem pode atrasar o reconhecimento de uma complicação pulmonar que ainda não aparecia na admissão.
C) Incorreta. Anti-inflamatório não esteroidal pode complementar a analgesia em pacientes selecionados, mas não substitui opioide em dor intensa e não elimina a necessidade de nova avaliação pulmonar.
D) Incorreta. Metadona é um opioide de ação prolongada e farmacocinética complexa, não a escolha habitual para titulação rápida de uma crise aguda. A expressão evitar opioide também contradiz o próprio fármaco proposto.