Jéssica, de 25 anos, e seu médico desenvolvem o seguinte diálogo durante uma consulta na Unidade Básica de Saúde:
- Médico: Olá, Jéssica, não te vejo há muito tempo, como tem passado?
- Jéssica: Muito mal. Não consigo dormir, estou me sentindo fraca, acho que a imunidade está baixa.
- Médico: Entendo.
- Jéssica: Não sei o que é, minha vida está organizada, está tudo bem em casa com meus pais.
- Médico: Puxa, pelo que você conta é algo novo e você não sabe qual pode ser a causa.
- Jéssica: Às vezes penso que pode ser a rotina. Trabalho como recepcionista em uma empresa de componentes automotivos e faço faculdade de Contabilidade à noite. Chego em casa às 23 horas, ou até mais tarde, e saio às 6 horas da manhã. Faço isso há 2 anos, acho que estou acostumada.
A pegadinha central é confundir pergunta aberta com pergunta focal.
“Entendo” é encorajamento mínimo: mantém a narrativa sem mudar o assunto.
Paráfrase devolve o conteúdo com outras palavras; reflexão emocional nomeia ou explora o sentimento percebido.
A prova que você vai prestar tem cara própria. Tem tema que cai todo ano e tema que nunca apareceu, e decidir isso no improviso custa as semanas que você não tem.
O MedBoard começa pelo outro lado. Ele pesa cada tema pela banca que você vai prestar, monta o cronograma a partir disso e guarda o que você errou para devolver na hora certa.
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Contexto
Entrevistas clínicas centradas na pessoa começam com espaço para uma narrativa ampla antes de perguntas fechadas. A frase “Como tem passado?” é uma pergunta aberta, porque não restringe a resposta a um sintoma, órgão, duração ou alternativa previamente definida.
Expressões breves como “Entendo”, “Certo” e “Continue” são encorajamentos verbais mínimos. Elas sinalizam atenção e convidam a pessoa a prosseguir sem interromper ou conduzir precocemente o conteúdo. Pausas, contato visual e postura receptiva podem exercer a mesma função de forma não verbal.
A frase “Puxa, pelo que você conta é algo novo e você não sabe qual pode ser a causa” reformula o conteúdo apresentado e se aproxima de uma paráfrase ou reflexão de conteúdo. Contudo, entre as alternativas, a combinação inequívoca desde o início do diálogo é pergunta aberta seguida de encorajamento verbal curto.
Alternativa por alternativa
A) Correta (gabarito). O médico abre com pergunta ampla, permite que Jéssica desenvolva sua narrativa e usa “Entendo” como encorajamento verbal curto.
B) Incorreta. A consulta não começa por encorajamento curto nem há direcionamento inicial a uma hipótese diagnóstica. A primeira intervenção é uma pergunta aberta.
C) Incorreta. Há uma reformulação posterior do conteúdo, mas não se observa reflexão em espelho como técnica principal. A alternativa ignora a pergunta aberta e o encorajamento mínimo claramente demonstrados.
D) Incorreta. “Como tem passado?” não é pergunta focal. Pergunta focal delimitaria um campo, como sono, trabalho ou início da fraqueza.