Volpe (2011) publicou estudo da correlação das “taxas de cesariana” com as “taxas de mortalidade materna e infantil” através da avaliação de dados oficiais de 193 países. Com base nesse estudo, o gráfico abaixo apresenta a correlação entre a taxa de mortalidade materna e a taxa de cesárea de cada um desses países.

A pegadinha central é confundir correlação ecológica com efeito causal individual.
Taxas muito baixas podem refletir falta de acesso a cesarianas necessárias.
Depois de certo patamar, aumentar a taxa populacional não significa reduzir ainda mais a mortalidade.
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Contexto
O gráfico mostra uma associação inversa e não linear em nível populacional. Países com taxas muito baixas de cesariana concentram mortalidade materna elevada; à medida que a taxa de cesariana aumenta a partir desses níveis baixos, a mortalidade cai rapidamente e depois se aproxima de um platô.
A declaração da OMS sobre taxas de cesariana, de 2015, descreve fenômeno semelhante: até aproximadamente 10% em nível populacional, o aumento da disponibilidade de cesariana associa-se a redução da mortalidade materna e neonatal; acima desse patamar, novas elevações não demonstram redução adicional consistente da mortalidade.
A conclusão mais fiel ao gráfico é que quanto menor a taxa de cesariana, maior a mortalidade materna. Isso não prova que aumentar cesarianas indefinidamente reduz mortes. Trata-se de estudo ecológico, sujeito a confundimento por renda, acesso a serviços, qualidade do pré-natal, capacidade cirúrgica e organização do sistema de saúde.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. A alternativa descreve correlação positiva, mas a curva desce conforme a taxa de cesariana aumenta a partir dos níveis mais baixos.
B) Incorreta. A frase sugere que qualquer aumento da taxa de cesariana produz queda contínua da mortalidade. O gráfico mostra redução principalmente nas taxas muito baixas e posterior platô, sem benefício progressivo indefinido.
C) Correta (gabarito). Os maiores valores de mortalidade materna concentram-se entre países com menor taxa de cesariana, expressando a associação inversa destacada pelo estudo.
D) Incorreta. Há tendência de associação visível, embora ela não permita concluir causalidade.