Homem, 59 anos, refere empachamento e vômitos esporádicos que se intensificaram na última semana. Apresentou perda de 6 kg neste período. Nega alteração do hábito intestinal. Trabalha como secretário e na última semana pediu afastamento devido à fraqueza, apesar de realizar sozinho suas tarefas em casa. Tem diabete melito, hipertensão arterial e é tabagista (40 anos.maço). Teve infarto agudo do miocárdio há 7 meses, quando foi submetido à angioplastia e colocação de stent. Faz uso de aspirina, clopidogrel, atenolol, metformina e atorvastatina. Ao exame clínico, encontra-se em bom estado geral: IMC: 21 kg/m2; ausculta pulmonar e cardíaca sem alterações; abdome flácido, escavado e sem massas palpáveis; toque retal sem alterações. Exames laboratoriais: Hb 9,6 g/dL; Ht 29%; VCM 77 fL; HCM 25 pg; albumina 3,1 mg/dL. Realizada endoscopia digestiva alta, que evidenciou lesão estenosante em antro com difícil passagem do gastroscópio infantil.
Obstrução gástrica não significa falência intestinal: ultrapasse a lesão com alimentação pós-pilórica quando isso for tecnicamente possível.
Use o intestino sempre que funcionante; nutrição parenteral não é a primeira escolha apenas porque a via oral está bloqueada.
Sonda grossa descomprime; sonda enteral fina pós-pilórica nutre.
Confirme radiologicamente ou por método validado a posição da sonda antes de iniciar a dieta.
A prova que você vai prestar tem cara própria. Tem tema que cai todo ano e tema que nunca apareceu, e decidir isso no improviso custa as semanas que você não tem.
O MedBoard começa pelo outro lado. Ele pesa cada tema pela banca que você vai prestar, monta o cronograma a partir disso e guarda o que você errou para devolver na hora certa.
Criar conta grátis
Contexto
A lesão estenosante do antro produz obstrução da saída gástrica, explicando empachamento, vômitos, perda ponderal, anemia microcítica e hipoalbuminemia. O paciente não consegue atingir suas necessidades por via oral e precisa de suporte nutricional enquanto completa estadiamento, confirmação histológica e definição terapêutica.
Quando o trato gastrointestinal distal está funcionante, a via enteral é preferida à nutrição parenteral. Como o gastroscópio infantil conseguiu atravessar a estenose, é possível posicionar uma sonda enteral fina além da obstrução, no duodeno ou jejuno. A alimentação pós-pilórica contorna o antro obstruído, reduz retenção gástrica e utiliza a capacidade absortiva intestinal.
A sonda apropriada é fina, flexível, radiopaca, possui marcações de comprimento e costuma acompanhar fio-guia para facilitar posicionamento endoscópico ou fluoroscópico. A posição da extremidade deve ser confirmada antes do início da dieta. Sonda de grosso calibre pode ser útil para descompressão gástrica, mas não é o dispositivo ideal para nutrir distalmente.
Alternativa por alternativa
A) Correta (gabarito). A imagem mostra sonda nasoenteral fina com fio-guia, adequada para posicionamento pós-pilórico e administração de dieta além da estenose antropilórica.
B) Incorreta. Trata-se de sonda gástrica de maior calibre, mais apropriada para aspiração e descompressão. Se sua extremidade permanecer no estômago, a dieta continuará represada antes da obstrução.
C) Incorreta. A imagem representa cateter venoso central de múltiplos lúmens. Ele permitiria nutrição parenteral, opção reservada quando a via enteral é inviável, insuficiente ou contraindicada.
D) Incorreta. O dispositivo é um cateter vascular, não uma sonda destinada ao trato gastrointestinal. Seu uso não aproveita o intestino distal funcionante e expõe o paciente aos riscos infecciosos e metabólicos da nutrição parenteral.