Homem, 28 anos de idade, pesando aproximadamente 70 Kg, vem encaminhado ao Pronto Atendimento com história de queimadura térmica por explosão de frasco de álcool líquido em casa, enquanto fazia churrasco. O exame clínico de entrada mostrou queimaduras de segundo grau em face, membros superiores e tórax anterior, totalizando 10% da superfície corporal.
A pegadinha central é olhar apenas o percentual e ignorar a face como área especial.
Explosão com queimadura facial exige vigilância de lesão inalatória e edema de via aérea.
Flictenas têm manejo individualizado, mas nesta questão o gabarito exige desbridamento.
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Contexto
O paciente apresenta queimadura de espessura parcial em 10% da superfície corporal, envolvendo face, membros superiores e tórax anterior. A American Burn Association recomenda consulta imediata com consideração de transferência para centro especializado quando a queimadura parcial atinge pelo menos 10% da superfície corporal ou envolve áreas especiais, sobretudo se houver profundidade relevante, dor difícil de controlar ou risco de lesão inalatória.
Queimadura facial por explosão exige avaliação repetida da via aérea, porque edema pode progredir. Deve-se pesquisar rouquidão, estridor, fuligem, queimadura em ambiente fechado, alteração de consciência e dificuldade respiratória. A reposição formal pela fórmula de Parkland costuma ser reservada para extensões maiores em adultos, mas hidratação e diurese devem ser monitoradas conforme o estado clínico.
O manejo das flictenas varia entre protocolos. Flictenas grandes, rotas, contaminadas, tensas ou que dificultam avaliação e curativo são desbridadas; algumas pequenas e íntegras podem ser preservadas. O gabarito desta prova exige desbridamento das flictenas, associado a limpeza, analgesia, cobertura tópica e curativos apropriados.
A extensão e o acometimento da face tornam inadequado o manejo ambulatorial imediato. A melhor alternativa reúne internação, desbridamento e curativos.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. A internação está adequada, mas a prova não aceita manter as flictenas intactas. Além disso, curativo facial aberto é uma possibilidade técnica, porém não corrige o componente exigido de tratamento das bolhas.
B) Correta (gabarito). A extensão de 10%, o envolvimento da face e dos membros superiores justificam cuidado hospitalar ou especializado. O desbridamento permite limpeza, avaliação da profundidade e aplicação uniforme dos curativos.
C) Incorreta. Tratamento exclusivamente ambulatorial subestima o risco associado à face, à extensão limítrofe e à possibilidade de progressão do edema ou da profundidade.
D) Incorreta. O cuidado local proposto coincide com o gabarito, mas a alta ambulatorial imediata não é a melhor conduta para queimadura parcial extensa em áreas especiais.