Mulher, 33 anos, caiu do terceiro andar do prédio. No atendimento pré-hospitalar, encontrava-se inconsciente, com FC de 120 bpm e PAS de 100 mmHg. Foi realizada entubação orotraqueal e infusão de 1.000 mL de cristaloide e ácido tranexâmico. Na admissão no Serviço de Emergência encontrava-se:
I. Entubada, saturação de O2: 97%;
II. MV presente e expansibilidade simétrica;
III. FC 130 bpm, PA: 80x50 mmHg;
IV. exame da bacia com sinais de instabilidade pélvica;
V. realizado FAST que evidenciou presença de líquido livre em todos os quadrantes do abdome.
VI. sedada; escala de Coma de Glasgow 3;
VII. sem deformidades nos membros ou no dorso;
VIII. toque retal sem alterações.
Preto dentro da bexiga é urina; preto entre fígado e rim, no trauma, é hemoperitônio até prova em contrário.
FAST responde se há líquido livre, não qual órgão está sangrando nem qual é o grau da lesão.
No paciente instável com FAST positivo, a próxima etapa é controle hemorrágico, não tomografia.
As janelas clássicas são pericárdica, hepatorrenal, esplenorrenal e pélvica.
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Contexto
A paciente apresenta choque hemorrágico após trauma fechado, com hipotensão, taquicardia, instabilidade pélvica e FAST positivo em todos os quadrantes. O FAST não identifica diretamente qual órgão foi lesado; ele procura líquido em espaços potenciais do pericárdio e da cavidade peritoneal. Em trauma, uma faixa anecoica nesses recessos deve ser interpretada como sangue até prova em contrário.
Na posição supina, um dos locais mais sensíveis é o recesso hepatorrenal, também chamado espaço de Morison. O achado positivo é uma lâmina ou coleção negra entre o fígado e o rim direito, podendo estender-se para o espaço subfrênico e para a extremidade inferior do fígado. A WSES reconhece o E-FAST como método rápido para detectar líquido intra-abdominal no trauma.
Instabilidade hemodinâmica associada a FAST abdominal positivo indica controle operatório imediato da hemorragia, sem atrasar a laparotomia para tomografia. A imagem correta precisa demonstrar líquido livre fora de uma víscera oca ou de uma cavidade normal, e não apenas uma estrutura fisiologicamente anecoica, como a bexiga ou uma câmara cardíaca.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. A imagem corresponde à janela cardíaca e não demonstra a faixa pericárdica anecoica característica de hemopericárdio. Também não representa líquido intraperitoneal em um dos recessos abdominais pesquisados.
B) Incorreta. A grande estrutura anecoica central é a bexiga. Não se observa coleção livre posterior ou lateral a ela que caracterize FAST pélvico positivo.
C) Correta (gabarito). A imagem mostra líquido anecoico no recesso hepatorrenal, separando o fígado do rim direito. Esse é o padrão clássico de FAST positivo no espaço de Morison e, no contexto de choque, representa hemoperitônio.
D) Incorreta. O aspecto heterogêneo apresentado corresponde a conteúdo ou estruturas abdominais, sem uma lâmina anecoica bem definida em espaço peritoneal dependente.