Antibioticoterapia, espectro e resistência

Acesso diretoComentada pelo MedBoard
Questão 2
USP-SP · 2023

Mulher, 65 anos de idade, está internada na enfermaria, no sexto dia de pós-operatório de colectomia direita por câncer de cólon. Evoluiu com dor abdominal, vômitos e febre. Ao exame clínico, encontra-se em bom estado geral, FC de 100 bpm e PA de 110x70 mmHg; dor abdominal à palpação difusa com irritação peritoneal. Realizada a tomografia de abdome total com imagem compatível com deiscência da anastomose intestinal. Foi indicada laparotomia exploradora com presença de peritonite purulenta e deiscência da anastomose.

Dentre as alternativas abaixo, qual é o esquema de antibioticoterapia mais adequado?
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

Deiscência de anastomose no sexto pós-operatório, com peritonite purulenta, caracteriza infecção intra-abdominal complicada associada à assistência à saúde. A flora esperada inclui enterobactérias, anaeróbios e maior probabilidade de microrganismos resistentes do que nas infecções comunitárias.

O tratamento depende de dois componentes inseparáveis: controle cirúrgico do foco e antimicrobiano empírico adequado. Piperacilina com tazobactam oferece cobertura ampla para bacilos gram-negativos, incluindo Pseudomonas em cenários sensíveis, anaeróbios e parte dos enterococos, sendo apropriada como esquema inicial neste contexto pós-operatório. Culturas intraoperatórias permitem descalonamento posterior.

Após controle efetivo do foco, a Surgical Infection Society 2024 recomenda cursos curtos em vez de prolongamento rotineiro. Quatro dias costumam ser suficientes, e cinco dias representam a opção disponível mais próxima desse princípio. Persistência de febre, leucocitose ou disfunção orgânica após esse período deve motivar investigação de foco residual, não simples extensão automática do antibiótico.

O esquema mais adequado é piperacilina com tazobactam por 5 dias, desde que a laparotomia tenha controlado satisfatoriamente a contaminação.

Alternativa por alternativa

A) Incorreta. Ceftriaxona com metronidazol cobre flora comunitária habitual, mas é menos adequada como escolha empírica para deiscência anastomótica pós-operatória. Além disso, 10 dias excedem a duração recomendada após controle de foco.

B) Incorreta. O espectro da piperacilina com tazobactam é apropriado, porém 10 dias não são necessários rotineiramente quando a fonte foi controlada. Duração longa aumenta toxicidade, resistência e risco de infecção por Clostridioides difficile.

C) Incorreta. Cinco dias correspondem ao princípio de curso curto, mas o esquema tem cobertura menos abrangente para uma infecção hospitalar pós-operatória com deiscência anastomótica.

D) Correta (gabarito). Combina cobertura empírica ampla com duração curta após controle cirúrgico adequado do foco. A resposta deve ser reavaliada diariamente e o esquema ajustado aos resultados microbiológicos.

Bizu MedBoard
  • A pegadinha central é manter antibiótico por 10 a 14 dias mesmo depois de controlar o foco.

  • Infecção pós-operatória exige espectro mais amplo que infecção comunitária de baixo risco.

  • Febre persistente após curso curto sugere foco residual até prova em contrário.

Estudar tudo por igual é o que faz o seu tempo não render.

A prova que você vai prestar tem cara própria. Tem tema que cai todo ano e tema que nunca apareceu, e decidir isso no improviso custa as semanas que você não tem.

O MedBoard começa pelo outro lado. Ele pesa cada tema pela banca que você vai prestar, monta o cronograma a partir disso e guarda o que você errou para devolver na hora certa.

Criar conta grátis
Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Antibioticoterapia, espectro e resistência” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
Treinar este tema →