Mulher, 65 anos de idade, está internada na enfermaria, no sexto dia de pós-operatório de colectomia direita por câncer de cólon. Evoluiu com dor abdominal, vômitos e febre. Ao exame clínico, encontra-se em bom estado geral, FC de 100 bpm e PA de 110x70 mmHg; dor abdominal à palpação difusa com irritação peritoneal. Realizada a tomografia de abdome total com imagem compatível com deiscência da anastomose intestinal. Foi indicada laparotomia exploradora com presença de peritonite purulenta e deiscência da anastomose.
A pegadinha central é manter antibiótico por 10 a 14 dias mesmo depois de controlar o foco.
Infecção pós-operatória exige espectro mais amplo que infecção comunitária de baixo risco.
Febre persistente após curso curto sugere foco residual até prova em contrário.
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Contexto
Deiscência de anastomose no sexto pós-operatório, com peritonite purulenta, caracteriza infecção intra-abdominal complicada associada à assistência à saúde. A flora esperada inclui enterobactérias, anaeróbios e maior probabilidade de microrganismos resistentes do que nas infecções comunitárias.
O tratamento depende de dois componentes inseparáveis: controle cirúrgico do foco e antimicrobiano empírico adequado. Piperacilina com tazobactam oferece cobertura ampla para bacilos gram-negativos, incluindo Pseudomonas em cenários sensíveis, anaeróbios e parte dos enterococos, sendo apropriada como esquema inicial neste contexto pós-operatório. Culturas intraoperatórias permitem descalonamento posterior.
Após controle efetivo do foco, a Surgical Infection Society 2024 recomenda cursos curtos em vez de prolongamento rotineiro. Quatro dias costumam ser suficientes, e cinco dias representam a opção disponível mais próxima desse princípio. Persistência de febre, leucocitose ou disfunção orgânica após esse período deve motivar investigação de foco residual, não simples extensão automática do antibiótico.
O esquema mais adequado é piperacilina com tazobactam por 5 dias, desde que a laparotomia tenha controlado satisfatoriamente a contaminação.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Ceftriaxona com metronidazol cobre flora comunitária habitual, mas é menos adequada como escolha empírica para deiscência anastomótica pós-operatória. Além disso, 10 dias excedem a duração recomendada após controle de foco.
B) Incorreta. O espectro da piperacilina com tazobactam é apropriado, porém 10 dias não são necessários rotineiramente quando a fonte foi controlada. Duração longa aumenta toxicidade, resistência e risco de infecção por Clostridioides difficile.
C) Incorreta. Cinco dias correspondem ao princípio de curso curto, mas o esquema tem cobertura menos abrangente para uma infecção hospitalar pós-operatória com deiscência anastomótica.
D) Correta (gabarito). Combina cobertura empírica ampla com duração curta após controle cirúrgico adequado do foco. A resposta deve ser reavaliada diariamente e o esquema ajustado aos resultados microbiológicos.