Paciente de 10 meses, sexo masculino, engasgou com amendoim ofertado pelo irmão mais velho. Foi prontamente levado ao hospital e apresenta muita tosse, estridor e pletora facial.
A pegadinha central é agir sobre uma tosse eficaz: não faça manobras de desobstrução enquanto houver boa passagem de ar.
Menor de 1 ano com obstrução grave: cinco golpes dorsais alternados com cinco compressões torácicas, nunca compressões abdominais.
Suspeita clínica persistente após aspiração de amendoim exige broncoscopia mesmo que a radiografia seja normal.
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Contexto
O lactente aspirou amendoim e mantém tosse intensa, estridor e pletora facial. A presença de tosse vigorosa indica passagem de ar e diferencia obstrução parcial com tosse efetiva da obstrução grave com tosse ineficaz, incapacidade de vocalizar, cianose ou perda de consciência. Enquanto a tosse for efetiva, manobras cegas podem converter uma obstrução parcial em completa; deve-se manter observação contínua e preparar a retirada definitiva.
No hospital, diante de história clara e sintomas respiratórios persistentes, a prioridade é broncoscopia para localização e remoção do corpo estranho. Corpo estranho orgânico, como amendoim, pode inchar, fragmentar e desencadear inflamação, por isso a remoção não deve ser postergada. Se a tosse se tornar ineficaz antes do procedimento, em menores de 1 ano aplicam-se cinco golpes interescapulares alternados com cinco compressões torácicas.
Alternativa por alternativa
A) Correta (gabarito). A broncoscopia é diagnóstica e terapêutica, permitindo visualizar e retirar o amendoim. Como há passagem de ar e tosse efetiva, é preferível à realização imediata de manobras externas.
B) Incorreta. Golpes nas costas alternados com compressões torácicas são indicados no lactente consciente com obstrução grave e tosse ineficaz. Neste caso, a tosse é intensa e deve ser estimulada enquanto se organiza a broncoscopia.
C) Incorreta. Compressões abdominais, conhecidas como manobra de Heimlich, não são usadas em menores de 1 ano pelo risco de lesão visceral. Elas se aplicam à criança maior consciente com obstrução grave.
D) Incorreta. Bolsa-válvula-máscara é necessária quando a criança fica inconsciente ou não ventila adequadamente, após abertura da via aérea e ciclos de ressuscitação. Não é a prioridade em lactente consciente com tosse efetiva.