Paciente, 36 anos, queixa-se de corrimento vaginal e sensação de ardência vaginal há 10 dias, com odor desagradável e piora após relação sexual. Nega comorbidades ou uso de medicamentos. Nuligesta, refere uso de DIU de cobre ha 3 anos. Parceiro sexual único há 12 meses. Exame ginecológico: especular com conteúdo vaginal branco-acinzentado, em grande quantidade, bolhoso e com odor pronunciado, colo epitelizado, apresentado a seguir.

Toque vaginal: útero em anteversoflexão, volume habitual, móvel, indolor à mobilização, ausência de massas anexiais. Realizou-se o exame bacterioscópico.
Pegadinha central: odor forte não significa automaticamente vaginose; corrimento bolhoso, ardor e colo em morango apontam para tricomoníase.
Tricomoníase: procure trofozoíto móvel, piriforme, flagelado e com núcleo único.
Clue cell é vaginose bacteriana; pseudohifa é candidíase.
Por ser IST, a tricomoníase exige tratamento dos parceiros e prevenção de reinfecção.
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Contexto
O conjunto clínico e visual é mais compatível com tricomoníase por Trichomonas vaginalis, e não com vaginose bacteriana. A paciente apresenta ardor, corrimento abundante, bolhoso e malcheiroso, e a imagem do colo mostra cervicite com áreas puntiformes eritematosas, o chamado colo em morango ou colpite macular. O odor pode ficar mais evidente após a relação porque o sêmen eleva o pH vaginal.
Nas Diretrizes de Tratamento de IST do CDC 2021, ainda utilizadas como referência, o diagnóstico pode ser feito por teste de amplificação de ácido nucleico, método mais sensível, ou pela identificação do protozoário móvel no exame a fresco. A bacterioscopia da alternativa A mostra organismos piriformes, com núcleo único e estruturas flagelares, compatíveis com trofozoítos de T. vaginalis. O exame a fresco tem sensibilidade limitada e deve ser analisado logo após a coleta, pois a motilidade diminui rapidamente.
A tricomoníase é uma infecção sexualmente transmissível. O manejo completo inclui tratar a paciente e os parceiros sexuais, orientar abstinência até o término do tratamento e resolução dos sintomas, e avaliar outras IST conforme risco. O DIU de cobre não explica o padrão microscópico nem altera a identificação do agente.
Alternativa por alternativa
A) Correta (gabarito). A imagem mostra trofozoítos compatíveis com Trichomonas vaginalis, o achado que melhor corresponde ao corrimento bolhoso, ardor e aspecto inflamatório do colo apresentado no enunciado.
B) Incorreta. A imagem mostra estruturas fúngicas com brotamento e pseudohifas, padrão de Candida. Candidíase costuma causar prurido vulvar intenso, eritema e corrimento branco grumoso, sem o odor pronunciado e o colo em morango do caso.
C) Incorreta. A imagem mostra células epiteliais recobertas por cocobacilos, com bordas borradas, as clue cells da vaginose bacteriana. A vaginose pode produzir odor forte e corrimento acinzentado, mas geralmente provoca pouca inflamação e não explica tão bem o corrimento bolhoso com cervicite macular.
D) Incorreta. A imagem mostra protozoários com morfologia simétrica e dois núcleos aparentes, compatíveis com Giardia, agente intestinal. Não é o padrão do protozoário flagelado responsável pela vaginite do caso.