Gestante de 35 anos, 4G3PN, 37 semanas pela data da última menstruação, com pré-natal irregular, comparece ao pronto-socorro com queixa de dor em baixo ventre e em região lombar, principalmente quando fica muito tempo em pé. Ao exame físico: IMC: 34 kg/m2; PA: 120x80 mmHg. Região lombar com contratura muscular e sensível à palpação. AU: 41 cm. Foco: 148 bpm. DU ausente. Escava completamente ocupada. Manobra de Leopold demonstra mobilidade. Edema Negativo. Toque: colo grosso, posterior, 2 cm de dilatação.
A pegadinha é tratar a lombalgia e esquecer a fita métrica: 41 cm com 37 semanas exige investigação ultrassonográfica.
Diferença maior que 3 cm entre altura uterina e idade gestacional é o corte clássico para investigar crescimento e líquido.
Ultrassom estima, mas não pesa o feto; a margem de erro deve ser incorporada à decisão obstétrica.
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Contexto
Após 20 a 24 semanas, a altura uterina em centímetros costuma aproximar-se da idade gestacional. Uma diferença superior a 3 cm funciona como sinal de rastreamento para crescimento fetal anormal, erro de datação, alteração do líquido amniótico, gestação múltipla ou massa uterina. O ACOG Practice Bulletin nº 227, de 2021, utiliza discrepância maior que 3 cm como indicação para avaliação ultrassonográfica do crescimento.
Nesta gestante, a altura uterina é de 41 cm com 37 semanas, diferença de 4 cm, associada a pré-natal irregular, obesidade e apresentação ainda móvel. A obesidade reduz a precisão da medida clínica, mas não autoriza ignorar uma discrepância relevante. A ultrassonografia deve confirmar número de fetos, apresentação, biometria, peso fetal estimado, placenta e volume de líquido amniótico.
O exame não diagnostica macrossomia com exatidão absoluta, porque a estimativa de peso no fim da gestação tem margem de erro importante. Ainda assim, é o próximo passo que organiza o risco obstétrico. A dor lombar reproduzível à palpação parece musculoesquelética, mas analgesia isolada não esclarece a sobredistensão uterina.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Analgesia pode aliviar a contratura lombar, porém não avalia o achado obstétrico de maior impacto, que é a altura uterina acima da esperada. Reavaliar apenas a dor poderia atrasar o reconhecimento de macrossomia, polidrâmnio ou erro de datação.
B) Correta (gabarito). A ultrassonografia obstétrica permite estimar o peso fetal e, simultaneamente, avaliar líquido amniótico, apresentação e demais causas de discrepância entre altura uterina e idade gestacional.
C) Incorreta. Aguardar trabalho de parto espontâneo sem esclarecer a discrepância deixa de obter informações necessárias para planejamento do parto e vigilância materno-fetal.
D) Incorreta. Afastamento laborativo pode ser discutido para dor musculoesquelética incapacitante, mas não responde ao principal problema detectado no exame obstétrico.