Leucemias na infância

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Questão 8
USP-SP · 2024

Paciente de 8 anos, portador de leucemia linfoide aguda (LLA) diagnosticado há 4 semanas, em fase de indução, realizou último ciclo de quimioterapia há 4 dias. É trazido ao pronto atendimento por apresentar febre de até 39°C há um dia e odinofagia. Ao exame clínico apresenta bom estado geral, sinais vitais dentro da normalidade, cateter de longa permanência sem sinais flogísticos, apresenta hiperemia de orofaringe, sem placas de pus. Restante do exame clínico sem alterações.

Assinale a conduta indicada para este paciente.
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

Febre durante a fase de indução da leucemia linfoide aguda é emergência infecciosa. Quatro dias após quimioterapia, a criança pode estar entrando no nadir de neutrófilos; bom estado geral, foco aparente em orofaringe e sinais vitais normais não excluem bacteremia nem deterioração rápida. Deve-se considerar neutropenia febril até obter o hemograma, mas a investigação não pode atrasar o tratamento.

Devem ser colhidos hemograma com contagem absoluta de neutrófilos, hemoculturas de cada lúmen do cateter e, conforme protocolo, cultura periférica, além de exames dirigidos pelos sintomas. Em seguida, inicia-se prontamente antibiótico intravenoso com atividade antipseudomonas. Cefepime, cefalosporina de quarta geração, é opção de monoterapia empírica. Provas inflamatórias auxiliam acompanhamento, mas resultados normais não autorizam esperar nem dar alta em paciente de alto risco em indução.

Alternativa por alternativa

A) Incorreta. Oseltamivir só é indicado quando há suspeita ou confirmação de influenza e não cobre bacteremia. Mesmo que um vírus seja identificado, isso não afasta infecção bacteriana concomitante nem permite alta sem avaliação da neutropenia.

B) Incorreta. Cultura de orofaringe não substitui hemoculturas, e quinolona oral não é o esquema inicial apropriado para criança de alto risco em indução. A mucosite ainda pode ser porta de entrada para bacteremia sem placas ou pus.

C) Correta (gabarito). Internação, coleta imediata de culturas e hemograma, seguida de cefepime intravenoso, oferece cobertura empírica antipseudomonas compatível com neutropenia febril de alto risco. A antibioticoterapia não deve aguardar os resultados.

D) Incorreta. A decisão de tratar não depende de hemograma ou marcadores inflamatórios alterados. Além disso, cefalosporinas de terceira geração como ceftriaxona não cobrem adequadamente Pseudomonas; ceftazidima tem ação antipseudomonas, mas menor cobertura para cocos gram-positivos e deve seguir protocolo local.

Bizu MedBoard
  • A pegadinha é tranquilizar-se com o bom estado geral: febre após quimioterapia exige culturas e antibiótico antipseudomonas sem demora.

  • Na indução de LLA, o paciente é de alto risco; foco viral ou faríngeo não exclui bacteremia.

  • Cubra Pseudomonas com cefepime, piperacilina-tazobactam ou carbapenêmico antipseudomonas conforme gravidade, resistência e protocolo local.

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Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Leucemias na infância” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
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