Paciente de 2 meses, sexo masculino, em uso de fórmula láctea de partida, foi internado em leito de enfermaria há 24 horas. Na admissão, apresentava história de tosse e coriza há dois dias e desconforto respiratório há um dia. Ao exame clínico, neste momento, paciente segue com desconforto respiratório, apresenta ausculta respiratória com sibilos e estertores em bases bilateralmente, tiragem subdiafragmática leve/moderada, FR: 71 ipm, FC: 168 bpm, SpO2 94% em cateter nasal de oxigênio 2 L/min. Peso: 4 kg. As anotações nos controles de enfermagem, o exame de imagem realizado e a prescrição atual são demonstrados a seguir:

A pegadinha é procurar um medicamento quando o problema imediato é suporte: FR elevada mais queda da ingesta torna a alimentação oral insegura.
Bronquiolite típica é diagnóstico clínico; radiografia com hiperinsuflação não significa pneumonia bacteriana.
Em lactentes, acompanhe tendência de ingesta e peso das fraldas, não apenas uma medida isolada de saturação.
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Contexto
O lactente apresenta bronquiolite viral aguda: pródromo de coriza e tosse, seguido de sibilos, estertores, taquipneia e aumento do trabalho respiratório. A radiografia mostra hiperinsuflação, sem consolidação focal que sustente pneumonia bacteriana. O tratamento é predominantemente de suporte, com oxigenação, desobstrução nasal e garantia de hidratação e nutrição seguras.
O dado que muda a prescrição está nos controles: enquanto a frequência respiratória sobe de 54 para 70 irpm, a ingestão cai de 120 para 10 mL e as fraldas ficam progressivamente menos pesadas. Agora, com FR de 71 irpm e tiragem, a sucção fica ineficiente e aumenta o risco de aspiração. Como a prescrição mantém dieta oral sem reposição hídrica adequada, deve-se suspender temporariamente a alimentação oral insegura e introduzir hidratação de manutenção, por via enteral protegida ou intravenosa conforme tolerância e gravidade. Para 4 kg, a manutenção calculada pela regra de Holliday-Segar corresponde a 400 mL/dia, aproximadamente 16,7 mL/h, com ajustes conforme balanço hídrico, eletrólitos e condição clínica.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Penicilina cristalina trataria pneumonia bacteriana, mas não há febre, toxemia ou consolidação focal. Infiltrado intersticial e hiperinsuflação podem acompanhar bronquiolite e não justificam antibiótico isoladamente.
B) Correta (gabarito). A taquipneia importante tornou a via oral insegura, e os controles demonstram queda acentuada da ingestão e da diurese. O soro de manutenção corrige a falha de suporte hídrico enquanto se reavalia a possibilidade de nutrição enteral segura.
C) Incorreta. Salbutamol não é tratamento rotineiro da bronquiolite do primeiro episódio em lactente pequeno, pois o mecanismo predominante é edema, secreção e obstrução de pequenas vias aéreas, não broncoespasmo reversível. Eventual prova terapêutica só se sustenta em caso selecionado e com resposta objetiva.
D) Incorreta. Manter dieta geral, nebulização com soro fisiológico e oxigênio ignora a redução progressiva da ingesta e da diurese. Além disso, nebulização com solução salina não substitui hidratação sistêmica.