Familiares trazem ao médico um paciente de 81 anos, com história de declínio progressivo da memória e cognição há 5 anos, mas que era parcialmente independente para atividades diárias que o médico classificou como ECOG 3 (capaz de autocuidado apenas limitado; confinado a cama ou cadeira mais de 50% das horas de vigília). Segundo a família, há dois dias paciente não vem se alimentando, com aumento da sonolência e diminuição do contato verbal. O médico fez o diagnóstico de delirium e sugeriu internação para investigação do fator desencadeante.
A pegadinha central é confundir delirium com piora da memória. O domínio primário é a atenção.
Delirium começa em horas ou dias e flutua; demência progride em meses ou anos.
Demência prévia não exclui delirium. Mudança aguda em relação ao basal deve ser tratada como delirium sobreposto até prova em contrário.
A prova que você vai prestar tem cara própria. Tem tema que cai todo ano e tema que nunca apareceu, e decidir isso no improviso custa as semanas que você não tem.
O MedBoard começa pelo outro lado. Ele pesa cada tema pela banca que você vai prestar, monta o cronograma a partir disso e guarda o que você errou para devolver na hora certa.
Criar conta grátis
Contexto
Delirium é uma síndrome neurocognitiva aguda causada por doença médica, substância, abstinência ou múltiplos fatores. Segundo o DSM-5-TR de 2022, o núcleo diagnóstico é uma perturbação da atenção e da consciência, instalada em horas ou dias, com flutuação ao longo do dia, acompanhada por outra alteração cognitiva.
A atenção é a capacidade de direcionar, manter e alternar o foco mental. No delirium, o paciente perde o fio da conversa, distrai-se com estímulos irrelevantes, não consegue repetir sequências ou executar comandos simples de modo consistente. Alterações de memória, função executiva, linguagem, percepção e habilidade visuoespacial podem ocorrer, mas muitas vezes são agravadas pela própria incapacidade de prestar atenção.
O caso distingue duas camadas: declínio progressivo por cinco anos sugere transtorno neurocognitivo prévio; piora em dois dias, com sonolência, redução da alimentação e do contato verbal, indica delirium sobreposto à demência. Demência é fator predisponente, mas não explica sozinha a mudança aguda.
Alternativa por alternativa
A) Correta (gabarito). Desatenção é a alteração primária e obrigatória do delirium. O início agudo e o curso flutuante completam o padrão clínico e o diferenciam do declínio cognitivo crônico.
B) Incorreta. Planejamento, flexibilidade mental e controle inibitório podem se deteriorar, mas a disfunção executiva não é o núcleo diagnóstico. Ela é comum em demências frontais e vasculares, além de poder aparecer secundariamente no delirium.
C) Incorreta. Memória recente pode parecer muito comprometida porque o paciente não registra adequadamente a informação quando está desatento. Déficit progressivo de memória é mais característico de transtorno neurocognitivo, enquanto o delirium exige mudança aguda da atenção e consciência.
D) Incorreta. Desorganização visuoespacial, ilusões e alucinações podem ocorrer, mas não são necessárias nem primárias. Esse domínio também pode estar comprometido em demência com corpos de Lewy e outras doenças neurodegenerativas.