Primigesta, 41 anos de idade, gestação após ciclo natural induzido. É hipertensa crônica em uso de metildopa 750 mg por dia. Teve data da última menstruação em 18/06/2023. Comparece em primeira consulta de pré-natal com os seguintes exames:

Pegadinha central: boa vitalidade fetal não autoriza esperar quando a mãe apresenta sinais de infecção intra-amniótica.
Infecção na rotura pré-termo: antibiótico e parto; não fazer tocólise e não atrasar para completar corticoide.
Corioamnionite não é indicação automática de cesariana; a via segue critérios obstétricos.
Leucocitose e proteína C reativa são inespecíficas isoladamente, mas ganham peso quando surgem com dor uterina e atividade uterina após a rotura.
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Contexto
A paciente tem rotura pré-termo das membranas com 32 semanas e evolui, uma hora após a admissão, com dor em baixo ventre, atividade uterina, leucócitos de 15.000 por mm³ e proteína C reativa de 20. A prova interpreta essa mudança clínica como suspeita de infecção intra-amniótica, situação em que a prioridade deixa de ser prolongar a gestação e passa a ser tratar a infecção e indicar o parto.
A Atualização de Prática Clínica do ACOG 2024 define suspeita de infecção intra-amniótica classicamente por temperatura materna de 39 °C ou mais, ou entre 38 e 38,9 °C associada a outro fator clínico. O mesmo documento admite diagnóstico sem febre quando outros sinais e sintomas associados sustentam a suspeita. Leucocitose e proteína C reativa isoladas são inespecíficas na gestação; em uma paciente real, seria necessário reavaliar temperatura, dor ou sensibilidade uterina, frequência cardíaca materna e fetal, odor do líquido, secreção purulenta e tendência dos exames. Dentro do enunciado, a associação de rotura, dor nova, contrações e marcadores inflamatórios representa a infecção pretendida pela banca.
Quando há suspeita de infecção intra-amniótica, deve-se iniciar antibiótico de amplo espectro e não adiar a resolução para completar corticoterapia. A tocólise é contraindicada. Boa vitalidade fetal no momento não elimina o risco de deterioração rápida. A infecção, por si só, não obriga cesariana; a via de parto depende das indicações obstétricas e das condições maternas e fetais.
Alternativa por alternativa
A) Correta (gabarito). A suspeita de infecção em paciente com rotura pré-termo das membranas indica resolução da gestação, associada a antibioticoterapia. “Parto imediato” significa não manter conduta expectante, e não cesariana obrigatória.
B) Incorreta. O corticoide pode ser administrado se houver tempo e se não atrasar a conduta, mas não se deve esperar completar o esquema diante de infecção intra-amniótica suspeita.
C) Incorreta. A tocólise prolongaria a exposição materna e fetal ao foco infeccioso e é contraindicada quando há suspeita de corioamnionite ou infecção intra-amniótica.
D) Incorreta. Observação clínica e laboratorial isolada é insuficiente diante da mudança do quadro. A conduta expectante é reservada à rotura pré-termo sem infecção, sofrimento fetal, descolamento de placenta ou progressão do trabalho de parto.