Mulher, 45 anos, apresenta há 2 anos lesão eritematosa, infiltrada, bem delimitada no antebraço esquerdo, conforme figura apresentada. Peso de 67 kg. Testes realizados demonstraram sensibilidades térmica, dolorosa e tátil diminuídas.

A pegadinha é descartar hanseníase pela baciloscopia negativa: formas paucibacilares frequentemente não mostram bacilos.
Placa única, assimétrica, bem delimitada e anestésica aponta para hanseníase tuberculoide.
A perda sensitiva costuma surgir primeiro para temperatura, depois dor e, por fim, tato.
O diagnóstico exige exame dermatológico e neurológico, não apenas inspeção da pele.
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Contexto
A imagem mostra placa eritematosa infiltrada, bem delimitada, com bordas elevadas e clareamento central. A redução das sensibilidades térmica, dolorosa e tátil no interior da lesão constitui um dos sinais cardinais da hanseníase. Lesão única ou em pequeno número, assimétrica, nitidamente delimitada e anestésica é típica de hanseníase tuberculoide.
Nessa forma clínica existe resposta imune celular intensa contra o Mycobacterium leprae, com formação de granulomas e baixa carga bacilar. Por isso, a baciloscopia do raspado intradérmico costuma ser negativa. O PCDT da Hanseníase do Ministério da Saúde de 2022 ressalta que baciloscopia negativa não exclui a doença, especialmente nos casos paucibacilares, pois o diagnóstico é predominantemente clínico e dermatoneurológico.
O exame deve incluir palpação dos nervos periféricos, teste de força e sensibilidade e classificação do grau de incapacidade. Pela classificação operacional, pacientes com até cinco lesões e baciloscopia negativa são geralmente paucibacilares, desde que não haja outros critérios que indiquem doença multibacilar.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Eritema nodoso hansênico é reação hansênica tipo 2, vista principalmente em formas multibacilares. Produz nódulos eritematosos dolorosos múltiplos, febre e possível comprometimento sistêmico, não uma placa crônica única e anestésica.
B) Correta (gabarito). A placa única, bem delimitada e com perda de sensibilidade caracteriza o polo tuberculoide. A forte imunidade celular mantém poucos bacilos nos tecidos, tornando esperada a baciloscopia negativa.
C) Incorreta. Hanseníase virchowiana apresenta numerosas lesões mal delimitadas e simétricas, infiltração difusa, madarose, nódulos e alta carga bacilar. A baciloscopia costuma ser positiva, mas a morfologia da paciente não corresponde a esse polo.
D) Incorreta. A forma dimorfa virchowiana é multibacilar e tende a produzir múltiplas lesões com limites menos nítidos, distribuição mais extensa e maior comprometimento neural. Não é compatível com uma única placa tuberculoide típica.