Colelitíase, colecistite e colangite

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Questão 40
USP-SP · 2024

Mulher, 33 anos, internada em Unidade de Terapia Intensiva, há 7 dias, após realização de transplante pulmonar, intubada e sedada. Apresenta agudamente distensão abdominal, reação de dor à palpação abdominal em epigástrio, hipocôndrio direito. Realizada tomografia de abdome, corte coronal, que é apresentada a seguir:

Figura da questão 40 da USP-SP 2024
Figura da questão

 - Exames laboratoriais: 

Leucócitos 17.000/mm3 

PCR: 210 mg/L 

TGO/AST: 120 U/L 

TGP/ALT: 160 U/L 

FA: 74 U/L 

GGT: 151 U/L 

Amilase: 170 U/L 

Lipase: 122 U/L

Assinale a alternativa que apresenta o diagnóstico correto.
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

A paciente está no sétimo dia após transplante pulmonar, intubada, sedada e em terapia intensiva. Cirurgia de grande porte, jejum, ventilação mecânica, imunossupressão, possível instabilidade circulatória e uso de opioides favorecem estase biliar, isquemia da parede da vesícula e inflamação sem cálculo. Esses são fatores clássicos para colecistite aguda alitiásica.

A tomografia coronal mostra vesícula distendida, com espessamento e inflamação da parede, sem cálculo evidente. Os Tokyo Guidelines 2018 estruturam o diagnóstico de colecistite pela associação de sinal local, inflamação sistêmica e imagem compatível. Em paciente sedada, Murphy e dor localizada podem estar ausentes ou ser pouco confiáveis, de modo que leucocitose, PCR elevada e achados radiológicos ganham maior peso.

A colecistite alitiásica tem maior risco de gangrena, perfuração e sepse do que a forma calculosa. O tratamento inclui antibiótico e controle precoce do foco. Paciente com condições operatórias pode ser submetida à colecistectomia; paciente instável ou com risco cirúrgico proibitivo geralmente recebe colecistostomia percutânea.

A fosfatase alcalina normal e a ausência de dilatação da via biliar tornam colangite menos provável. Amilase e lipase discretamente elevadas não definem pancreatite e podem refletir doença crítica.

Alternativa por alternativa

A) Incorreta. Úlcera perfurada produziria pneumoperitônio, descontinuidade gastrointestinal ou extravasamento, achados não mostrados. A inflamação está centrada na vesícula.

B) Incorreta. Íleo metabólico pode causar distensão e redução dos ruídos, mas deveria mostrar dilatação difusa de alças sem ponto focal inflamatório. Não explica a alteração vesicular associada à resposta inflamatória intensa.

C) Correta (gabarito). O perfil de paciente crítica, a dor em hipocôndrio direito, a inflamação sistêmica e a vesícula distendida e inflamada sem cálculos formam o quadro típico de colecistite aguda alitiásica.

D) Incorreta. Colangite requer infecção associada a obstrução da via biliar, com colestase clínica ou laboratorial e dilatação ou causa obstrutiva na imagem. A fosfatase alcalina está normal e não há evidência de obstrução ductal.

Bizu MedBoard
  • A pegadinha é procurar cálculo: na colecistite alitiásica, o fator central é a doença crítica com estase e isquemia da vesícula.

  • Paciente sedado pode não ter Murphy; imagem e inflamação sistêmica sustentam o diagnóstico.

  • Acalculosa evolui mais facilmente com gangrena e perfuração, por isso exige controle precoce do foco.

  • Colangite precisa de obstrução biliar; inflamação isolada da vesícula aponta para colecistite.

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Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Colelitíase, colecistite e colangite” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
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