Paciente, 50 anos, com queixa de ondas de calor e sudorese noturna que se iniciaram há 6 meses com a menopausa. Apresenta hipertensão arterial sistêmica tratada com anlodipino 5mg, diabetes controlada com metformina 1000 mg e hipercolesterolemia tratada com rosuvastatina 10 mg.
A pegadinha é confundir menor primeira passagem hepática com maior potência: a vantagem transdérmica é de segurança trombótica e metabólica, não de eficácia superior.
Útero presente exige progestagênio mesmo quando o estrogênio é transdérmico.
Em paciente com fatores cardiometabólicos, a prova costuma favorecer estradiol transdérmico em menor dose eficaz.
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Contexto
A terapia hormonal é o tratamento mais eficaz para ondas de calor e sudorese noturna. Nesta paciente, a decisão deve considerar que ela tem 50 anos, iniciou a menopausa há apenas 6 meses e apresenta fatores cardiometabólicos que aumentam o risco vascular basal. O posicionamento de 2022 da The Menopause Society reconhece que doses menores e a via transdérmica podem reduzir o risco de tromboembolismo venoso e acidente vascular cerebral em comparação com o estrogênio oral, embora grande parte dessa comparação provenha de estudos observacionais.
O estradiol transdérmico alcança a circulação sistêmica sem primeira passagem hepática relevante. Por isso, produz menor estímulo à síntese hepática de fatores de coagulação, proteína C reativa, triglicerídeos e proteínas transportadoras. O benefício que discrimina a alternativa é o perfil trombogênico mais favorável, particularmente útil quando há obesidade, hipertensão, diabetes, dislipidemia, hipertrigliceridemia ou outros fatores de risco vascular.
A via não elimina os demais riscos da terapia. Se o útero estiver presente, o estrogênio transdérmico continua estimulando o endométrio e exige progestagênio em dose e duração adequadas, salvo situações específicas. A eficácia sobre sintomas vasomotores é semelhante à da via oral quando se utilizam doses biologicamente equivalentes. O risco mamário depende principalmente do tipo de esquema, do progestagênio, da duração, da dose e do perfil individual, não havendo proteção garantida apenas pela troca da via.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Estradiol oral e transdérmico controlam sintomas vasomotores de modo semelhante quando administrados em doses equivalentes. A escolha transdérmica busca sobretudo modificar segurança metabólica e vascular, não obter eficácia sintomática superior.
B) Correta (gabarito). A via transdérmica evita a primeira passagem hepática e exerce menor impacto sobre fatores pró-coagulantes, oferecendo perfil de risco tromboembólico mais favorável do que a via oral.
C) Incorreta. A exposição sistêmica ao estrogênio transdérmico mantém efeito proliferativo sobre o endométrio. Mulher com útero intacto continua precisando de proteção progestagênica; a via isoladamente não previne hiperplasia ou câncer endometrial.
D) Incorreta. Não há redução assegurada do risco de câncer de mama apenas por usar adesivo ou gel. Esse risco é influenciado pelo esquema combinado, pela duração da exposição e pelas características da paciente.