Tuberculose

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Questão 81
USP-SP · 2024

Homem, 32 anos, residente em uma grande cidade brasileira e procedente de outro pais latino-americano, procura a UBS com queixa de tosse produtiva há dois meses. Nas ultimas semanas, os episódios de tosse se intensificaram e, em um deles, foram vistos "raios de sangue" no catarro. Foi solicitada a baciloscopia do escarro, o TRM-TB, a sorologia para HIV e iniciado o tratamento de tuberculose. 

Em seu retorno, duas semanas depois, refere discreta melhora da tosse, mas "continua tossindo muito". O resultado da baciloscopia foi negativo para BAAR, enquanto resultado do TRM-TB apresentou MTB detectado e resistência à rifampicina. Assinale qual deve ser a conduta adotada para o caso.
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

O teste rápido molecular para tuberculose confirma a presença do complexo Mycobacterium tuberculosis e pesquisa mutações associadas à resistência à rifampicina. A baciloscopia negativa não invalida o resultado, porque o TRM-TB é mais sensível e pode detectar doença com menor carga bacilar.

Segundo o Manual de Recomendações para o Controle da Tuberculose no Brasil, segunda edição, de 2019, a detecção de resistência à rifampicina em caso novo exige nova amostra para repetição do TRM-TB, cultura e teste de sensibilidade. O segundo teste aumenta a segurança da identificação da resistência e a cultura com teste de sensibilidade define o perfil para outros fármacos.

O paciente deve ser encaminhado imediatamente ao ambulatório de referência terciária para tuberculose resistente, sem aguardar os novos resultados. Isso não significa internação automática. Se estiver clinicamente estável, o manejo é ambulatorial, com referência especializada e manutenção do vínculo com a UBS para adesão, tratamento diretamente observado quando indicado, vigilância de contatos e cuidado compartilhado.

Alternativa por alternativa

A) Incorreta. Os exames estão indicados, mas manter o paciente exclusivamente na UBS até os resultados atrasa a avaliação especializada. A referência terciária deve recebê-lo imediatamente.

B) Incorreta. Resistência à rifampicina exige referência especializada, mas não determina isolamento hospitalar automático. Internação depende de gravidade clínica, necessidade assistencial ou impossibilidade de controle adequado da transmissão no território.

C) Incorreta. A UBS não deve escolher autonomamente um esquema para tuberculose resistente apenas com o primeiro TRM-TB. É necessário repetir o teste, colher cultura e teste de sensibilidade e encaminhar para avaliação especializada.

D) Correta (gabarito). Reúne os três componentes necessários: confirmação molecular em nova amostra, cultura com teste de sensibilidade e encaminhamento imediato à referência terciária, sem romper o acompanhamento longitudinal pela UBS.

Bizu MedBoard
  • A pegadinha é esperar cultura e teste de sensibilidade antes do encaminhamento. A referência terciária é imediata.

  • Baciloscopia negativa não exclui tuberculose quando o TRM-TB detecta MTB.

  • Referência especializada não significa internação obrigatória; casos estáveis podem ser tratados ambulatorialmente.

  • A UBS mantém vínculo, adesão, vigilância de contatos e cuidado compartilhado.

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Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Tuberculose” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
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