Convulsão febril e epilepsias na infância

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Questão 18
USP-SP · 2024

Paciente de 2 anos, sexo feminino, sem antecedentes relevantes, apresenta quadro de febre de até 39.8 °C, vômitos e prostração, há dois dias. Hoje estava sonolenta e apresentou episódio de crise convulsiva tônico-clônica generalizada com duração de cerca de 10 minutos, sendo levada ao pronto-socorro. Na triagem, paciente apresentou nova crise convulsiva, sendo levada à sala de emergência. Foi solicitado acesso venoso, cuja obtenção foi malsucedida.

Assinale a droga e a via mais apropriada para controle da crise convulsiva neste momento.
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

Uma crise convulsiva que persiste por cinco minutos ou mais deve ser tratada como estado de mal epiléptico convulsivo, porque a chance de cessação espontânea diminui e o risco de lesão sistêmica aumenta. A paciente já teve uma crise de cerca de dez minutos e apresenta nova crise ativa, portanto a medicação não deve aguardar a obtenção de acesso venoso.

O tratamento inicial é um benzodiazepínico. Sem acesso intravenoso disponível, o midazolam por via intramuscular oferece absorção rápida e previsível e pode ser administrado imediatamente. Uma dose pediátrica frequentemente utilizada é 0,2 mg/kg, respeitando o limite máximo do protocolo institucional. Vias intranasal ou bucal também são alternativas quando disponíveis.

Durante o tratamento, devem ser mantidos oxigenação, monitorização cardiorrespiratória, posicionamento da via aérea e verificação imediata da glicemia. Se a crise persistir após a primeira dose, a segunda dose de benzodiazepínico deve seguir o intervalo do protocolo, enquanto se obtém acesso vascular ou intraósseo e se prepara um fármaco de segunda linha.

Alternativa por alternativa

A) Correta (gabarito). O midazolam intramuscular pode ser aplicado sem acesso vascular, tem início de ação rápido e evita que a tentativa de punção prolongue uma crise já estabelecida.

B) Incorreta. O diazepam intramuscular apresenta absorção errática e não é uma boa escolha para controle imediato. O diazepam é útil por via intravenosa ou retal, conforme o cenário e a disponibilidade.

C) Incorreta. O midazolam pode ser administrado por acesso intraósseo, mas seria necessário primeiro obter esse acesso. Como a via intramuscular está imediatamente disponível, não se deve atrasar o benzodiazepínico de primeira linha.

D) Incorreta. A via intraóssea é válida para medicamentos de emergência, mas exige procedimento adicional e o diazepam não oferece vantagem sobre o midazolam intramuscular já disponível. O acesso intraósseo deve ser providenciado para continuidade do tratamento se o acesso venoso permanecer impossível.

Bizu MedBoard
  • A pegadinha é esperar o acesso venoso: crise ativa por cinco minutos ou mais recebe benzodiazepínico pela via disponível.

  • Sem acesso venoso, midazolam intramuscular, intranasal ou bucal é preferível ao diazepam intramuscular.

  • Após duas doses adequadas de benzodiazepínico, não se deve repetir indefinidamente a mesma classe; prepare terapia de segunda linha e suporte ventilatório.

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Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Convulsão febril e epilepsias na infância” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
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