Mulher, 65 anos, foi submetida a tomografia de abdome para avaliação de coluna. O exame revelou achado incidental de hérnia femoral direita com conteúdo de gordura pré-peritoneal. A paciente apresenta antecedente de hipertensão arterial crônica, diabetes melito e fibrilação atrial, com adequado controle clínico. Em virtude do achado de imagem, foi solicitada avaliação da equipe de cirurgia. Avaliação clínica: bom estado geral, IMC: 28 kg/m2; abdome globoso, flácido e indolor. Discreto abaulamento, indolor, abaixo da prega inguinal direita.
A pegadinha é aplicar a vigilância da hérnia inguinal masculina à hérnia femoral: femoral confirmada deve ser operada.
Abaulamento abaixo do ligamento inguinal favorece hérnia femoral.
Conteúdo apenas adiposo hoje não elimina o risco de futura herniação e estrangulamento de alça.
Mulher com hérnia na região inguinal exige procura ativa de defeito femoral.
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Contexto
A hérnia femoral atravessa o canal femoral, abaixo do ligamento inguinal, em um anel pequeno e rígido delimitado por estruturas pouco complacentes. Esse colo estreito explica o risco desproporcional de encarceramento e estrangulamento, mesmo quando o saco contém apenas gordura no exame atual e a paciente não sente dor.
As diretrizes internacionais HerniaSurge, atualizadas em 2023, recomendam tratamento oportuno das hérnias da região inguinal em mulheres e destacam a necessidade de considerar o componente femoral. Para uma hérnia femoral confirmada, observação expectante não é a estratégia habitual; indica-se reparo eletivo após avaliação anestésica e manejo perioperatório das comorbidades.
Hipertensão, diabetes e fibrilação atrial controladas modificam o preparo, mas não anulam a indicação. Se houver anticoagulação, ela deve ser ajustada conforme risco tromboembólico e hemorrágico. A cirurgia eletiva é preferível à espera de uma emergência com alça encarcerada, ressecção intestinal e maior mortalidade.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Seguimento clínico isolado é uma opção discutida para algumas hérnias inguinais minimamente sintomáticas em homens, não para hérnia femoral confirmada em mulher. O risco anatômico permanece mesmo sem crescimento aparente.
B) Incorreta. Ultrassonografias seriadas podem documentar o defeito, mas não previnem encarceramento nem identificam com segurança quando a complicação ocorrerá. A imagem não substitui o reparo indicado.
C) Incorreta. Esperar dor, irredução ou sinais obstrutivos significa aguardar justamente a complicação que se pretende evitar. Na hérnia femoral, a indicação não depende do aparecimento de sintomas.
D) Correta (gabarito). O reparo eletivo deve ser programado independentemente dos sintomas, após otimização clínica. A anatomia do canal femoral confere risco elevado de estrangulamento e torna a estratégia preventiva mais segura.