Paciente, 45 anos, queixa-se de perda urinaria em pequena quantidade há 3 semanas. Refere cirurgia para correção de incontinência urinaria há 3 meses, com controle dos sintomas e micção espontânea. Nega dor.
- Exame clinico: FC: 80 bpm; FR: 12 ipm; PA: 110x60 mm Hg; IMC: 23 kg/m2.
- Abdome: plano, flácido, com palpação de tumoração regular, de consistência cístia, dolorosa, 4 cm acima da sínfese púbica
- Ginecológico: pilificação adequada para a idade; especular: conteúdo vaginal habitual, colo uterino epitelizado; toque vaginal: vagina previa de 2 dedos, elástica, colo regular, tumoração cística, dolorosa, ocupando a pelve e limitando a identificação do útero.
A pegadinha é interpretar qualquer escape após cirurgia como recidiva da incontinência: bexigoma com pequenas perdas sugere transbordamento.
Micção espontânea não exclui retenção; o dado objetivo é o resíduo pós-miccional.
Massa suprapúbica dolorosa e cística pede descompressão antes de imagem ou investigação etiológica detalhada.
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Contexto
A combinação de massa suprapúbica regular, dolorosa e cística com ocupação pélvica, após cirurgia para incontinência urinária, é típica de bexiga distendida por retenção urinária. A correção cirúrgica pode elevar excessivamente a resistência uretral, provocar angulação ou obstrução funcional e gerar esvaziamento incompleto. A paciente pode continuar urinando pequenas quantidades e, ainda assim, manter grande resíduo pós-miccional.
A perda recente em pequena quantidade não representa necessariamente recorrência da incontinência de esforço. Quando a pressão dentro da bexiga muito cheia supera transitoriamente a resistência uretral, ocorre incontinência por transbordamento. A prioridade é descomprimir a bexiga por cateterismo uretral, registrar o volume drenado e verificar se os sintomas e a massa desaparecem. A sondagem é simultaneamente diagnóstica e terapêutica.
Após estabilização, devem ser avaliados resíduo pós-miccional, função renal, urina, cultura quando indicada e possíveis complicações da cirurgia, inclusive necessidade de cateterismo intermitente, manutenção temporária de sonda ou revisão do procedimento. Exames complementares não devem atrasar a descompressão de uma retenção dolorosa evidente.
Alternativa por alternativa
A) Correta (gabarito). A sondagem vesical confirma que a massa é um bexigoma, alivia imediatamente a dor e reduz o risco de infecção, lesão do detrusor e repercussão sobre o trato urinário superior.
B) Incorreta. Sedimento e cultura podem identificar infecção associada, mas não tratam a obstrução nem esvaziam a bexiga. Devem ser considerados depois da descompressão, especialmente se houver piúria, febre ou sintomas infecciosos.
C) Incorreta. Ultrassonografia pode medir volume vesical, resíduo e avaliar rins e pelve, mas a massa palpável e o contexto pós-operatório já tornam a retenção suficientemente provável para cateterização imediata.
D) Incorreta. Punção percutânea de uma massa presumida seria insegura porque a estrutura mais provável é a própria bexiga. O acesso apropriado é pela uretra, não por punção pélvica guiada.