Homem, 23 anos, vitima de queda de motocicleta em alta velocidade. Avaliação na admissão no Serviço de Emergência:
A: Intubado; SpO2: 93%.
B: MV e ausculta diminuídos à esquerda.
C: PA: 140x70 mmHg; FC: 90 bpm; FAST negativo.
D: Escala de Coma de Glasgow de 3. Sedação. Pupilas anisocóricas, com midríase à esquerda.
E: Fratura exposta de perna esquerda, conforme imagem a seguir.

O paciente será submetido à analgesia, imunização antitetânica e antibiótico.
A pegadinha é usar apenas o tamanho da ferida: tipo III também é definido pela alta energia e pelo dano de partes moles.
IIIA tem cobertura local possível; IIIB exige reconstrução de cobertura; IIIC tem lesão arterial que precisa de reparo.
Antibiótico precoce, curativo estéril, alinhamento e imobilização vêm antes do desbridamento operatório.
A classificação final de Gustilo é mais confiável depois do primeiro desbridamento cirúrgico.
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Contexto
A fotografia mostra fratura exposta da perna com ferida extensa, exposição profunda e importante lesão de partes moles após trauma de alta energia. Apesar da gravidade, ainda parece possível obter cobertura do osso com os tecidos locais, sem perda segmentar de partes moles que exija retalho imediato. Esse conjunto corresponde a Gustilo-Anderson IIIA.
A classificação definitiva deve ser confirmada no centro cirúrgico após irrigação e desbridamento, porque a extensão real da lesão pode ser subestimada no box. Na sala de trauma, além de antibiótico precoce e profilaxia antitetânica já informados, a prioridade é controlar sangramento, documentar pulsos e função neurológica, cobrir a ferida com curativo estéril, realizar alinhamento gentil e imobilizar. Lavagem vigorosa, exploração repetida e desbridamento improvisado não substituem o tratamento operatório.
Alguns protocolos permitem retirar apenas contaminantes grosseiros e fazer irrigação suave com solução estéril antes do curativo. Isso não transforma a sala de trauma no local do desbridamento formal. Entre as alternativas, a opção que preserva a ferida para abordagem cirúrgica e evita manipulação desnecessária é a correta.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. O alinhamento e a imobilização estão adequados, mas o tipo II subestima uma lesão extensa produzida por mecanismo de alta energia. Ferida grande e dano importante de partes moles colocam o caso no grupo III.
B) Incorreta. Além da classificação incorreta como tipo II, a expressão limpeza da ferida sugere manipulação que não deve atrasar nem substituir irrigação e desbridamento cirúrgicos. O cuidado inicial deve ser limitado, estéril e sem exploração profunda.
C) Correta (gabarito). O mecanismo de alta energia e a exposição extensa, ainda com possibilidade de cobertura local, definem IIIA. Na sala de trauma, deve-se alinhar, imobilizar, proteger a ferida e repetir a avaliação neurovascular.
D) Incorreta. A classificação IIIA está correta, mas a alternativa acrescenta limpeza da ferida como etapa central no box. O procedimento definitivo de irrigação e desbridamento deve ocorrer no centro cirúrgico, sob condições adequadas.