Gestante, com 30 anos, primigesta, previamente hígida, realizou 06 consultas de pré-natal. No 3o trimestre foi observado polidrâmnio (ILA de 26 cm) em exame de ultrassonografia. Com 41 semanas de idade gestacional foi submetida a parto cesáreo, devido a falha de indução. Bolsa rota no ato, com líquido claro com grumos. Recém-nascido (RN) do sexo masculino, hipotônico e sem choro, imediatamente após a extração. Realizado o clampeamento imediato do cordão umbilical, foi levado ao berço aquecido, secado e estimulado, posicionado e foram aspiradas vias aéreas superiores. Apresentava-se, em seguida, com frequência cardíaca de 50 bpm e em apneia. Após as medidas de reanimação neonatal e a estabilização em sala de parto, o RN foi encaminhado para o alojamento conjunto. Com 1 hora de vida, apresentou episódio de cianose central, durante amamentação. RN foi reavaliado e, ao exame físico, foi observada taquipneia, com tiragem diafragmática, associada a importante sialorreia.
Pegadinha central: cianose que piora ao mamar mais sialorreia não é cardiopatia até prova em contrário; pense primeiro em atresia de esôfago.
Polidrâmnio é a pista pré-natal porque o feto não deglute adequadamente o líquido amniótico.
Sonda que não progride e se enrola no tórax confirma a bolsa proximal; gás abdominal aponta para fístula distal.
Suspeitou: não alimentar, aspirar a bolsa proximal e chamar cirurgia pediátrica.
A prova que você vai prestar tem cara própria. Tem tema que cai todo ano e tema que nunca apareceu, e decidir isso no improviso custa as semanas que você não tem.
O MedBoard começa pelo outro lado. Ele pesa cada tema pela banca que você vai prestar, monta o cronograma a partir disso e guarda o que você errou para devolver na hora certa.
Criar conta grátis
Contexto
Polidrâmnio no terceiro trimestre, sialorreia abundante, desconforto respiratório e cianose desencadeada pela primeira mamada formam o quadro clássico de atresia de esôfago, frequentemente associada a fístula traqueoesofágica distal. O polidrâmnio ocorre porque o feto não consegue deglutir e recircular adequadamente o líquido amniótico. Após o nascimento, saliva e leite se acumulam no fundo cego proximal, transbordam para a via aérea e causam tosse, engasgo, cianose e aspiração.
A confirmação inicial é feita tentando passar delicadamente uma sonda oro ou nasogástrica radiopaca. Na atresia, ela encontra resistência e costuma parar a cerca de 10 a 12 cm da gengiva, enovelando-se na bolsa esofágica proximal. A radiografia de tórax e abdome documenta a sonda no fundo cego e ajuda a definir a anatomia: gás no estômago e no intestino sugere fístula distal; abdome sem gás sugere atresia sem comunicação distal.
Ao suspeitar, deve-se interromper alimentação, elevar a cabeceira, aspirar continuamente a bolsa proximal e acionar cirurgia pediátrica. Ventilação com máscara deve ser evitada quando possível, pois o ar pode atravessar uma fístula distal e distender o estômago.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Intubação pode ser necessária se houver insuficiência respiratória, mas não confirma atresia de esôfago. Além disso, a posição do tubo deve evitar ventilação preferencial através de eventual fístula, e a prioridade diagnóstica é demonstrar a interrupção esofágica com sonda e radiografia.
B) Incorreta. Oximetria documenta hipoxemia e ecocardiograma pesquisa cardiopatias associadas, mas não explica nem confirma sialorreia intensa e cianose diretamente relacionada à alimentação.
C) Incorreta. Hipoglicemia e erros inatos podem causar alteração neurológica ou respiratória, porém não produzem acúmulo de saliva nem engasgo imediato durante a mamada. A triagem metabólica não é o exame confirmatório deste quadro anatômico.
D) Correta (gabarito). A impossibilidade de progressão da sonda orogástrica, seguida da demonstração radiográfica de seu enovelamento na bolsa proximal, confirma a obstrução esofágica. A presença ou ausência de gás abdominal ainda sugere se existe fístula traqueoesofágica distal.