Três pacientes foram admitidos no PS com quadro de choque hemodinâmico, sendo submetidos ao protocolo RUSH (Rapid Ultrasound in Shock) para avaliar etiologia do choque. A tabela a seguir apresenta os achados na avaliação cardíaca, do tórax e da veia cava desses três pacientes, identificados pelos números 1, 2 e 3.

A pegadinha é aceitar a sigla da tabela sem conferir a fisiologia: McConnell é sinal do ventrículo direito, não do esquerdo.
Perfil B mais VE hipocontrátil e cava pletórica aponta para choque cardiogênico.
TEP maciço costuma produzir pulmão com perfil A, VD sobrecarregado e cava distendida.
RUSH sugere mecanismo, mas não substitui integração clínica nem exame confirmatório quando o paciente permite.
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Contexto
O protocolo RUSH organiza o ultrassom do choque em três eixos: bomba, representada pelo coração; tanque, avaliado por veia cava, pulmões e cavidades; e tubos, que incluem aorta e sistema venoso. Nenhum achado isolado fecha a etiologia, mas a combinação dos compartimentos produz padrões hemodinâmicos reconhecíveis.
O exame 2 combina pulmão com perfil A, veia cava inferior distendida e alteração segmentar descrita como ápice hipercontrátil com parede lateral hipocontrátil. O padrão pretendido é o sinal de McConnell, isto é, hipocinesia da parede livre do ventrículo direito com preservação apical, associado à sobrecarga aguda do VD no tromboembolismo pulmonar de alto risco.
A tabela da imagem registra VE, mas essa descrição só é fisiologicamente coerente para TEP se se referir ao ventrículo direito. Trata-se de provável erro de rotulagem da questão. O sinal de McConnell não é exclusivo de TEP e pode aparecer no infarto de ventrículo direito, portanto deve ser integrado à clínica e à pesquisa de trombose venosa.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. O exame 1 mostra ventrículo esquerdo hipocontrátil, perfil pulmonar B e cava distendida, conjunto de congestão e falência de bomba compatível com choque cardiogênico, não sepse pulmonar.
B) Correta (gabarito). O exame 2 apresenta o padrão pretendido de sobrecarga aguda do ventrículo direito, pulmão seco com perfil A e cava pletórica, combinação compatível com choque obstrutivo por tromboembolismo pulmonar.
C) Incorreta. O exame 3 mostra ventrículo hiperdinâmico, cava colabada e perfil pulmonar C, mais compatível com choque distributivo ou hipovolêmico associado a consolidação pulmonar. Infarto anterior extenso tenderia a produzir hipocontratilidade do ventrículo esquerdo.
D) Incorreta. O exame 4 mostra ventrículo esquerdo hipocontrátil, perfil B e cava distendida, padrão cardiogênico. Aneurisma de aorta roto exigiria visualização da aorta dilatada, possível retalho ou líquido livre, achados não fornecidos nessa linha.