Paciente de 4 anos previamente hígido esta passando em consulta de rotina pediátrica. Mãe refere que, há cerca de 2 semanas, ele apresentou um quadro de dor nos punhos e tornozelos, dor abdominal e "caroços elevados" pelo corpo. Ela o medicou com amoxicilina por conta própria e refere que, após cerca de uma semana, as lesões começaram a melhorar. Ao exame, está em BEG, corado, hidratado, FC: 92 bpm, FR: 20 ipm, PA: 82x50 mmHg. Restante do exame clínico sem alterações, exceto por lesões residuais em membros inferiores, conforme imagem a seguir.

Pegadinha central: a púrpura melhora antes de terminar o risco; urina e pressão arterial precisam continuar sendo avaliadas por meses.
Púrpura palpável em pernas mais dor abdominal e artralgia, com plaquetas normais, fecha o padrão clínico de vasculite por IgA.
A banca repete o recorte da nefrite assintomática: hematúria e proteinúria podem ser o único sinal de complicação.
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Contexto
A imagem mostra púrpura palpável residual em membro inferior. Associada a artralgia de punhos e tornozelos e dor abdominal, ela compõe o fenótipo clássico da vasculite por IgA, antiga púrpura de Henoch-Schönlein. Pelos critérios EULAR, PRINTO e PRES, o elemento obrigatório é púrpura ou petéquias com predomínio em membros inferiores, sem trombocitopenia, acrescido de pelo menos um dos seguintes: dor abdominal, artrite ou artralgia, acometimento renal ou histologia com depósito predominante de IgA.
O seguimento não é orientado pela persistência da pele, mas pelo risco de nefrite tardia. Hematúria e proteinúria podem surgir após a resolução da púrpura e permanecer assintomáticas. A diretriz KDIGO 2025 recomenda monitorização urinária no início e ao menos mensal por 6 meses após a apresentação sistêmica; recomendações pediátricas também utilizam rastreio mais frequente nas primeiras 4 a 6 semanas. A vigilância inclui pressão arterial, urinálise ou sedimento urinário, quantificação de proteinúria quando presente e creatinina com estimativa da filtração glomerular.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Hemograma e coagulograma podem ser usados na avaliação inicial para demonstrar plaquetas preservadas e afastar coagulopatia, mas não constituem o acompanhamento seriado principal. A púrpura da vasculite por IgA decorre de inflamação de pequenos vasos, não de deficiência de fatores ou trombocitopenia.
B) Incorreta. ASLO pode documentar infecção estreptocócica prévia, e ecocardiograma é indicado quando se suspeita de cardite reumática. Não rastreiam a principal complicação tardia da vasculite por IgA, que é renal.
C) Correta (gabarito). Função renal e sedimento urinário identificam nefrite silenciosa por hematúria, proteinúria, cilindros e elevação da creatinina. Na prática, devem ser associados à medida seriada da pressão arterial e, se houver proteinúria, à sua quantificação.
D) Incorreta. C3 e C4 geralmente permanecem normais na vasculite por IgA. Hipocomplementemia persistente desloca o raciocínio para diagnósticos como lúpus, glomerulonefrite pós-infecciosa ou glomerulopatia por complemento, e não é o marcador de seguimento de rotina.