Princípios de cirurgia oncológica

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Questão 104
USP-SP · 2024

Paciente, 67 anos, apresenta dispneia secundária à ascite volumosa. Após paracentese de 6 litros, realiza-se exame de imagem com identificação de massa heterogênea em ambos os ovários e implantes peritoniais. A citologia do liquido ascítico e compatível com adenocarcinoma.

Assinale qual e o parâmetro associado a pior prognostico para esta paciente.
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

O principal determinante prognóstico inicial do câncer epitelial de ovário é a extensão anatômica da doença, complementada por histologia, estado funcional e volume de doença residual após citorredução. Entre as alternativas, implantes peritoneais representam disseminação macroscópica para fora do ovário e, por isso, têm maior peso prognóstico do que bilateralidade, volume de ascite ou citologia positiva isolada.

Pelo estadiamento FIGO apresentado no Cancer Report de 2025, tumor restrito a ambos os ovários pode ser estágio IB; se estivesse restrito aos ovários, mas com células malignas no líquido ascítico, seria estágio IC3. Implantes em tecidos intraperitoneais pélvicos configuram estágio II, enquanto disseminação peritoneal confirmada acima do estreito superior da pelve configura estágio III. Metástases peritoneais extrapelvinas macroscópicas de até 2 cm são IIIB e as maiores que 2 cm são IIIC.

Nesta paciente, a citologia positiva confirma que a ascite é maligna, mas os implantes já demonstram doença extraovariana macroscópica. O volume de seis litros traduz carga sintomática e necessidade de drenagem, porém litros de ascite não constituem categoria própria de estadiamento. Na prática, o fator prognóstico modificável mais importante após o tratamento é obter citorredução completa, sem doença residual macroscópica, informação não oferecida na questão.

Alternativa por alternativa

A) Incorreta. Ascite volumosa associa-se a doença avançada e pior condição clínica, mas seu volume isolado não define o estágio FIGO nem supera a demonstração anatômica de disseminação peritoneal. É um marcador indireto, não o parâmetro mais forte entre as opções.

B) Incorreta. Bilateralidade aumenta a extensão ovariana, mas um tumor limitado aos dois ovários pode permanecer em estágio I. Ela é menos desfavorável do que a presença de implantes extraovarianos.

C) Correta (gabarito). Implantes peritoneais comprovam disseminação macroscópica além dos ovários e elevam o estágio para II ou III conforme a localização. Entre as opções, é o achado que melhor representa maior extensão tumoral e pior prognóstico.

D) Incorreta. Células neoplásicas no líquido ascítico têm valor de estadiamento e, se a doença estivesse confinada aos ovários, caracterizariam IC3. Quando já existem implantes peritoneais macroscópicos, a extensão anatômica demonstrada pelos implantes é mais prognosticamente relevante.

Bizu MedBoard
  • A pegadinha é valorizar o líquido mais do que o implante: citologia positiva muda estágio inicial, mas doença peritoneal macroscópica demonstra disseminação maior.

  • Bilateralidade sem extensão extraovariana ainda pode ser estágio I; implantes pélvicos levam a II e implantes extrapelvinos a III.

  • Na vida real, estágio e doença residual após citorredução são pilares prognósticos; o volume de ascite não é categoria FIGO.

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Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Princípios de cirurgia oncológica” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
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