Paciente do sexo feminino, 3 anos, é admitida no pronto-socorro com quadro de tosse e dificuldade para respirar há um dia, sem febre ou coriza associados. Apresenta histórico de ter apresentado três crises semelhantes nos últimos 06 meses, com necessidade de internação. Na triagem, apresentava-se taquidispneica, sendo levada à sala de emergência. Na avaliação sistematizada em sala de emergência, a paciente apresentava os seguintes dados de exame físico e monitorização:
A: Via aérea pérvia.
B: Murmúrio vesicular com sibilos difusos, tempo expiratório prolongado, FR: 45 ipm, tiragens subdiafragmática, intercostal e de fúrcula, SpO2 93% em máscara não reinalante.
C: 2BRNF sem sopros, FC: 140 bpm, tempo de enchimento capilar de 2 segundos, pulsos cheios.
D: Alerta e orientada.
E: Lesões eritemato-crostosas em superfícies flexoras de pernas e braços.
A pegadinha é confundir poucos sintomas entre crises com baixo risco: internações repetidas indicam controlador.
Em pré-escolar, comece com corticoide inalatório em baixa dose e reavalie técnica e adesão antes de escalar.
A alta deve incluir plano escrito para reconhecimento e tratamento precoce de nova exacerbação.
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Contexto
Esta pré-escolar tem alto risco futuro: três exacerbações em seis meses, todas com internação, além de dermatite atópica. Mesmo que fique assintomática entre episódios, a recorrência de crises graves justifica tratamento controlador para reduzir novas exacerbações.
Na alta, o controlador preferencial é corticoide inalatório diário em baixa dose, associado a plano de ação, orientação de técnica com espaçador, controle ambiental e seguimento próximo. A resposta deve ser reavaliada; antes de aumentar a etapa, verificam-se diagnóstico, adesão, técnica e exposições. Em crianças de até 5 anos, LABA não é associação inicial rotineira, e antileucotrieno é opção alternativa ou adjuvante em situações selecionadas, com eficácia geralmente inferior à do corticoide inalatório para prevenir exacerbações.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Exacerbações graves recorrentes constituem indicação de controlador, ainda que a criança não tenha sintomas diários. Deixar sem corticoide inalatório mantém elevado o risco de nova internação.
B) Incorreta. A associação imediata com beta-agonista de longa duração não é o primeiro passo habitual aos 3 anos. O tratamento deve começar com corticoide inalatório em baixa dose e ser ajustado conforme controle e risco.
C) Correta (gabarito). Corticoide inalatório em baixa dose é o controlador inicial preferencial para pré-escolar com exacerbações recorrentes e graves, reduzindo sintomas e risco de novas crises.
D) Incorreta. Antileucotrieno não precisa ser associado de rotina. Pode ser alternativa quando o corticoide inalatório não é viável ou adjuvante em casos selecionados, considerando benefício menor e possíveis efeitos neuropsiquiátricos.