Paciente de 2 anos, sexo feminino, sem antecedentes relevantes, apresenta quadro de febre de até 39.8 °C, vômitos e prostração, há dois dias. Hoje estava sonolenta e apresentou episódio de crise convulsiva tônico-clônica generalizada com duração de cerca de 10 minutos, sendo levada ao pronto-socorro. Na triagem, paciente apresentou nova crise convulsiva, sendo levada à sala de emergência. Foi solicitado acesso venoso, cuja obtenção foi malsucedida.
A pegadinha é pensar que toda crise com febre é benigna: aspecto tóxico ou alteração persistente da consciência exige excluir meningite.
Complexa significa focal, duração de 15 minutos ou mais, ou recorrência em 24 horas.
Convulsão febril complexa não indica líquor automaticamente; o exame clínico e a suspeita de infecção do sistema nervoso central comandam a decisão.
Se o líquor não puder ser colhido imediatamente, não atrase antimicrobianos em paciente com choque ou forte suspeita de meningite.
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Contexto
Convulsão febril simples é generalizada, dura menos de 15 minutos, ocorre uma única vez em 24 horas e aparece em criança neurologicamente saudável entre seis meses e cinco anos. A recorrência no mesmo episódio febril torna o evento convulsão febril complexa, mesmo que cada crise isolada dure menos de 15 minutos.
A classificação como complexa, isoladamente, não obriga punção lombar em toda criança. O fator que fecha a indicação nesta questão é o conjunto de febre alta, vômitos, prostração, sonolência e crises recorrentes, que levanta suspeita de meningite ou meningoencefalite. A recomendação pediátrica é colher líquido cefalorraquidiano quando há sinais clínicos de infecção do sistema nervoso central ou criança com aspecto tóxico e alteração persistente da consciência.
A punção deve ocorrer após estabilização respiratória e hemodinâmica e depois de avaliar contraindicações, como instabilidade grave, sinais de hipertensão intracraniana com risco de herniação, coagulopatia relevante ou infecção no local. Se a punção precisar ser adiada, a antibioticoterapia empírica não deve ser atrasada.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. A idade é compatível com convulsão febril, mas o diagnóstico não pode ser presumido diante de recorrência, prostração e sonolência. Uma convulsão febril é diagnóstico de exclusão de causas agudas do sistema nervoso central.
B) Correta (gabarito). O líquido cefalorraquidiano é necessário para investigar meningite ou meningoencefalite porque a paciente está clinicamente doente e mantém sinais neurológicos além de uma crise febril simples. A coleta deve ser feita quando estiver estável e sem contraindicação.
C) Incorreta. Eletroencefalograma não exclui meningite e não é o exame prioritário na fase aguda. Pode ser considerado posteriormente em crises focais, déficits persistentes, suspeita de epilepsia ou alteração de consciência que sugira estado de mal não convulsivo.
D) Incorreta. A investigação deve responder ao risco atual de infecção do sistema nervoso central. Esperar nova recorrência em outro quadro infeccioso pode atrasar o diagnóstico de uma doença potencialmente fatal.