Convulsão febril e epilepsias na infância

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Questão 20
USP-SP · 2024

Paciente de 2 anos, sexo feminino, sem antecedentes relevantes, apresenta quadro de febre de até 39.8 °C, vômitos e prostração, há dois dias. Hoje estava sonolenta e apresentou episódio de crise convulsiva tônico-clônica generalizada com duração de cerca de 10 minutos, sendo levada ao pronto-socorro. Na triagem, paciente apresentou nova crise convulsiva, sendo levada à sala de emergência. Foi solicitado acesso venoso, cuja obtenção foi malsucedida.

Com relação ao quadro neurológico apresentado pela paciente, pode-se afirmar:
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

Convulsão febril simples é generalizada, dura menos de 15 minutos, ocorre uma única vez em 24 horas e aparece em criança neurologicamente saudável entre seis meses e cinco anos. A recorrência no mesmo episódio febril torna o evento convulsão febril complexa, mesmo que cada crise isolada dure menos de 15 minutos.

A classificação como complexa, isoladamente, não obriga punção lombar em toda criança. O fator que fecha a indicação nesta questão é o conjunto de febre alta, vômitos, prostração, sonolência e crises recorrentes, que levanta suspeita de meningite ou meningoencefalite. A recomendação pediátrica é colher líquido cefalorraquidiano quando há sinais clínicos de infecção do sistema nervoso central ou criança com aspecto tóxico e alteração persistente da consciência.

A punção deve ocorrer após estabilização respiratória e hemodinâmica e depois de avaliar contraindicações, como instabilidade grave, sinais de hipertensão intracraniana com risco de herniação, coagulopatia relevante ou infecção no local. Se a punção precisar ser adiada, a antibioticoterapia empírica não deve ser atrasada.

Alternativa por alternativa

A) Incorreta. A idade é compatível com convulsão febril, mas o diagnóstico não pode ser presumido diante de recorrência, prostração e sonolência. Uma convulsão febril é diagnóstico de exclusão de causas agudas do sistema nervoso central.

B) Correta (gabarito). O líquido cefalorraquidiano é necessário para investigar meningite ou meningoencefalite porque a paciente está clinicamente doente e mantém sinais neurológicos além de uma crise febril simples. A coleta deve ser feita quando estiver estável e sem contraindicação.

C) Incorreta. Eletroencefalograma não exclui meningite e não é o exame prioritário na fase aguda. Pode ser considerado posteriormente em crises focais, déficits persistentes, suspeita de epilepsia ou alteração de consciência que sugira estado de mal não convulsivo.

D) Incorreta. A investigação deve responder ao risco atual de infecção do sistema nervoso central. Esperar nova recorrência em outro quadro infeccioso pode atrasar o diagnóstico de uma doença potencialmente fatal.

Bizu MedBoard
  • A pegadinha é pensar que toda crise com febre é benigna: aspecto tóxico ou alteração persistente da consciência exige excluir meningite.

  • Complexa significa focal, duração de 15 minutos ou mais, ou recorrência em 24 horas.

  • Convulsão febril complexa não indica líquor automaticamente; o exame clínico e a suspeita de infecção do sistema nervoso central comandam a decisão.

  • Se o líquor não puder ser colhido imediatamente, não atrase antimicrobianos em paciente com choque ou forte suspeita de meningite.

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Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Convulsão febril e epilepsias na infância” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
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