Paciente, 55 anos, com antecedente de câncer de mama tratado há 2 anos por quadrantectomia mamária e radioterapia, sem necessidade de quimioterapia, mas em uso regular de inibidor de aromatase.
A pegadinha é confundir os efeitos do tamoxifeno com os do inibidor da aromatase: o inibidor reduz estrogênio e acelera perda óssea.
Antes e durante a terapia, pense em densitometria, risco de fratura, vitamina D, cálcio e exercício resistido.
Bisfosfonato ou denosumabe é indicado pelo risco esquelético, não apenas pelo fato de a paciente usar o antineoplásico.
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Contexto
Os inibidores da aromatase bloqueiam a conversão periférica de androgênios em estrogênios. Em mulheres na pós-menopausa, essa via é a principal fonte de estradiol; sua supressão aumenta a atividade osteoclástica, acelera a perda de densidade mineral óssea e eleva o risco de osteopenia, osteoporose e fraturas. A questão testa esse efeito adverso característico, e não sintomas inespecíficos como artralgia ou fogachos.
O posicionamento conjunto internacional sobre perda óssea associada a inibidores da aromatase, atualizado em 2025, recomenda avaliação de risco de fratura, densitometria, exercício resistido, ingestão adequada de cálcio e vitamina D e terapia antirreabsortiva quando indicada. Entre os critérios usados por diretrizes estão T-score inferior a -2,0, presença de pelo menos dois fatores clínicos de risco ou perda anual de densidade mineral óssea superior a 5%. Bisfosfonatos, como alendronato ou ácido zoledrônico, reduzem reabsorção óssea; denosumabe é outra possibilidade clínica, mas não aparece nas alternativas.
O bisfosfonato não deve ser prescrito automaticamente a toda usuária de inibidor da aromatase. A escolha depende da densitometria e do risco global, com avaliação renal, correção de hipocalcemia, adequação de vitamina D e exame odontológico quando apropriado, devido ao risco raro de osteonecrose de mandíbula.
Alternativa por alternativa
A) Correta (gabarito). O bisfosfonato é o único medicamento listado que trata a perda óssea induzida pelo hipoestrogenismo do inibidor da aromatase. Ele inibe a reabsorção mediada por osteoclastos e reduz o risco de deterioração esquelética quando os critérios para terapia antirreabsortiva estão presentes.
B) Incorreta. Enoxaparina previne ou trata tromboembolismo venoso. Inibidores da aromatase não geram indicação rotineira de anticoagulação, e a droga não corrige osteopenia nem reduz reabsorção óssea.
C) Incorreta. Omeprazol trata doenças relacionadas ao ácido gástrico e não previne a perda óssea por bloqueio estrogênico. Uso prolongado sem indicação pode, inclusive, associar-se a maior risco de deficiência de micronutrientes e fratura.
D) Incorreta. Espironolactona é antagonista da aldosterona, utilizada em insuficiência cardíaca, hiperaldosteronismo e algumas condições dermatológicas. Não atua na remodelação óssea provocada pelo inibidor da aromatase.