Primigesta, 41 anos de idade, gestação após ciclo natural induzido. É hipertensa crônica em uso de metildopa 750 mg por dia. Teve data da última menstruação em 18/06/2023. Comparece em primeira consulta de pré-natal com os seguintes exames:

Pegadinha central: mantenha o gabarito A, mas traduza “normalização” como controle precoce para alvo atual, não como pressão obrigatoriamente muito baixa.
Após o CHAP, o limiar e o alvo prático para hipertensão crônica leve passaram a girar em torno de 140 por 90 mmHg.
Pressão sistólica de 160 mmHg ou diastólica de 110 mmHg é hipertensão grave e não deve ser aceita como meta de acompanhamento.
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Contexto
Na hipertensão crônica, a exposição prolongada a níveis pressóricos elevados aumenta risco de pré-eclâmpsia sobreposta, descolamento prematuro de placenta, parto prematuro e desfechos perinatais adversos. O controle deve ser iniciado ou ajustado precocemente, e não postergado até o terceiro trimestre ou até surgirem níveis graves.
Há uma diferença importante entre o vocabulário da questão e a recomendação atual. Após o estudo CHAP, a declaração da SMFM de 2022 passou a apoiar o tratamento da hipertensão crônica leve na gestação com objetivo de manter pressão abaixo de 140 por 90 mmHg. A FEBRASGO 2024 também considera hipertensão na gestação a partir de 140 por 90 mmHg. O estudo mostrou redução de desfechos maternos e perinatais sem aumento de recém-nascidos pequenos para a idade gestacional. Portanto, a expressão “normalização da pressão no primeiro trimestre” deve ser entendida como otimização precoce do controle, não como redução indiscriminada para valores muito baixos.
O gabarito A é mantido porque, entre as opções, é a única que representa intervenção precoce. Na prática atual, trabalha-se com alvo absoluto e monitorização clínica, e não com uma queda percentual fixa ou com tolerância a 160 por 100 mmHg. Pressão de 160 por 110 mmHg ou mais é faixa grave e exige tratamento urgente.
Alternativa por alternativa
A) Correta (gabarito). É a opção que expressa controle pressórico desde o início da gestação, reduzindo a exposição placentária e materna à hipertensão. Pela diretriz atual, a formulação mais precisa seria tratar precocemente para manter a pressão abaixo de 140 por 90 mmHg, evitando hipotensão.
B) Incorreta. Esperar o terceiro trimestre mantém meses de exposição à hipertensão e perde a oportunidade de prevenir complicações que se desenvolvem desde a implantação e a placentação.
C) Incorreta. Aceitar pressão de até 160 por 100 mmHg como objetivo habitual é permissivo demais. Valores sistólicos de 160 mmHg já entram em faixa grave, associada a risco de acidente vascular cerebral e outras complicações maternas.
D) Incorreta. Reduzir 20% da pressão média ignora os valores absolutos, a tolerância materna e a perfusão placentária. Uma redução percentual pode ser insuficiente em hipertensão grave ou excessiva em quem já está próxima do alvo.