Homem, 32 anos, residente em uma grande cidade brasileira e procedente de outro pais latino-americano, procura a UBS com queixa de tosse produtiva há dois meses. Nas ultimas semanas, os episódios de tosse se intensificaram e, em um deles, foram vistos "raios de sangue" no catarro. Foi solicitada a baciloscopia do escarro, o TRM-TB, a sorologia para HIV e iniciado o tratamento de tuberculose.
A pegadinha é usar BCG como resposta à exposição já ocorrida. BCG não substitui tratamento preventivo.
Todo contato deve ser avaliado primeiro para tuberculose ativa.
Lactentes expostos recebem proteção prioritária porque têm alto risco de doença disseminada e meníngea.
Contato de tuberculose resistente exige esquema preventivo discutido com referência especializada.
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Contexto
A investigação de contatos busca excluir tuberculose ativa e identificar infecção latente entre pessoas expostas. O risco de progressão após a infecção é muito maior em crianças pequenas, especialmente lactentes, porque a imunidade celular ainda é imatura e há maior probabilidade de formas graves, como tuberculose miliar e meníngea.
Nas adultas assintomáticas, deve-se realizar avaliação clínica e investigação de infecção latente com prova tuberculínica ou teste de liberação de interferon-gama, conforme disponibilidade, depois de afastar doença ativa. Resultado positivo não deve ser interpretado isoladamente: antes do tratamento preventivo, é obrigatório excluir tuberculose ativa.
A criança tem apenas um mês, convive com caso pulmonar e ainda não recebeu BCG. Segundo o Manual de Recomendações para o Controle da Tuberculose no Brasil, de 2019, recém-nascidos expostos não devem receber BCG imediatamente. Após avaliação para excluir doença ativa, devem iniciar proteção medicamentosa sem aguardar teste imunológico, que tem desempenho limitado nessa idade. A BCG é reavaliada posteriormente, conforme evolução e protocolo.
Como o caso-fonte apresenta resistência à rifampicina, o esquema preventivo da criança deve ser definido com a referência especializada e considerar o perfil de sensibilidade do isolado. O princípio cobrado pela questão permanece: investigar as adultas e proteger imediatamente a criança após excluir doença ativa.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Os contatos adultos não devem receber tratamento preventivo indiscriminadamente. Primeiro é necessário excluir tuberculose ativa e demonstrar ou caracterizar a indicação de tratamento da infecção latente.
B) Correta (gabarito). As adultas assintomáticas devem ser investigadas para tuberculose ativa e infecção latente. A criança de um mês, por seu risco elevado de progressão, deve receber tratamento preventivo após exclusão de doença ativa, com esquema orientado pela referência devido à resistência do caso-fonte.
C) Incorreta. A BCG protege principalmente contra formas graves da tuberculose, mas não substitui o tratamento preventivo do recém-nascido já exposto. Nesse momento, a vacinação deve ser adiada enquanto se realiza a abordagem preventiva indicada.
D) Incorreta. Não se inicia tratamento preventivo em todas sem avaliação. Nas adultas, é preciso investigar doença ativa e infecção latente; na criança, a urgência decorre da idade e do alto risco de progressão.