Homem, 80 anos, produtor rural, apresentou lesão de crescimento progressivo em região malar direita, há dois anos, conforme imagem a seguir:

Biópsia realizada confirmou carcinoma epidermoide. O estadiamento com tomografia não identificou comprometimento ósseo ou de linfonodos parotídeos/cervicais.
A pegadinha é rejeitar Mohs por princípio: ela pode ser oncologicamente adequada, mas a reconstrução por segunda intenção torna a alternativa inferior neste defeito.
Carcinoma espinocelular invasivo precisa de cirurgia com controle de margens.
Retalho local é preferido quando fornece tecido semelhante e evita distorção de pálpebra, lábio ou asa nasal.
Retalho livre é solução para defeito complexo, não sinônimo de reconstrução melhor.
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Contexto
A fotografia mostra lesão malar extensa, ulcerada, infiltrada e com crosta necrótica, confirmada como carcinoma espinocelular invasivo. A tomografia não encontrou invasão óssea nem linfonodos parotídeos ou cervicais, portanto o tratamento deve buscar remoção completa com margens histologicamente livres e reconstrução funcional da face.
A diretriz da American Academy of Dermatology para carcinoma espinocelular cutâneo estabelece a cirurgia como tratamento mais eficaz. Excisão convencional e cirurgia micrográfica de Mohs são opções conforme risco, localização, limites clínicos e disponibilidade. Em defeito malar grande, próximo à pálpebra, o fechamento por retalho local oferece pele de cor, espessura e textura semelhantes e reduz contração cicatricial capaz de distorcer a pálpebra ou o canto ocular.
A reconstrução só deve ser definitiva depois de segurança quanto às margens, seja por avaliação intraoperatória apropriada ou por estratégia que permita nova ampliação. Retalho livre microcirúrgico fica reservado a defeitos compostos muito extensos, exposição óssea ampla ou insuficiência de tecido regional.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Crioterapia e tratamento tópico são reservados a lesões superficiais ou situações muito selecionadas em que cirurgia não é possível. Um carcinoma invasivo, ulcerado e volumoso exige controle histológico das margens.
B) Correta (gabarito). A ressecção oncológica remove o tumor localizado e o retalho local reconstrói o defeito malar com tecido semelhante, menor retração e melhor proteção das estruturas perioculares.
C) Incorreta. Retalho microcirúrgico é desproporcional sem perda óssea, cavitária ou de grande volume que impeça o uso de tecidos locais. Acrescentaria tempo, morbidade da área doadora e risco vascular desnecessários.
D) Incorreta. Mohs pode ser apropriada para carcinoma facial de alto risco e não é o problema isolado da alternativa. O erro é impor cicatrização por segunda intenção a um defeito malar extenso, próximo da pálpebra, com risco de retração, ectropion e resultado funcional inferior.