Mulher, 77 anos, com antecedente de hipertensão arterial, doença pulmonar obstrutiva crônica e hipotireoidismo. É admitida no PS trazida pelo SAMU com quadro de rebaixamento do nível de consciência nas últimas 48 horas. No momento da admissão: Glasgow 7 (AO 2, RV 1, RM4), sem proteção de vias aéreas, PA: 132x88 mmHg, FC: 43 bpm, FR: 9 ipm, temperatura 36 C. Ausculta pulmonar normal, ausculta cardíaca reduzida, abdome sem alterações. Antes de receber qualquer medicação, foi realizada intubação orotraqueal em primeira tentativa, devido ao rebaixamento de nível de consciência.
A pegadinha é ancorar no diagnóstico de DPOC. Frequência dos ciclos e tendência do EtCO2 também fazem parte da interpretação.
Hipoventilação produz poucas ondas por minuto e EtCO2 crescente; broncoespasmo altera principalmente o formato, com subida e platô inclinados.
Após intubação, CO2 persistente em ondas regulares confirma ventilação traqueal; ondas pequenas que desaparecem exigem revisão imediata da via aérea.
A prova que você vai prestar tem cara própria. Tem tema que cai todo ano e tema que nunca apareceu, e decidir isso no improviso custa as semanas que você não tem.
O MedBoard começa pelo outro lado. Ele pesa cada tema pela banca que você vai prestar, monta o cronograma a partir disso e guarda o que você errou para devolver na hora certa.
Criar conta grátis
Contexto
O capnograma normal tem quatro componentes úteis: fase I, próxima de zero, correspondente ao gás do espaço morto; fase II, subida rápida pela mistura com gás alveolar; fase III, platô alveolar; e descida inspiratória, que retorna à linha de base. O valor ao final da fase III é o EtCO2.
A paciente já apresentava bradipneia de 9 irpm antes de qualquer medicamento, além de rebaixamento profundo da consciência. A curva C mostra ciclos espaçados, valores elevados e tendência de elevação do EtCO2, compatíveis com hipoventilação alveolar. A inclinação do platô também pode refletir esvaziamento heterogêneo em uma paciente com DPOC. A história de DPOC, isoladamente, não obriga a escolher a curva de broncoespasmo grave, especialmente porque a ausculta pulmonar era normal.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. O traçado mostra pequenas ondas de CO2 que desaparecem em direção à linha de base. Após intubação, esse padrão sugere intubação esofágica, desconexão, obstrução completa do tubo ou perfusão extremamente baixa, não a hipoventilação descrita.
B) Incorreta. A subida muito lenta, sem platô alveolar bem definido, lembra obstrução expiratória muito intensa. A pegadinha é escolher esse traçado apenas pelo antecedente de DPOC. Não há descrição de broncoespasmo agudo, e o dado dominante é a bradipneia com retenção progressiva de CO2.
C) Correta (gabarito). A imagem apresenta respirações espaçadas e EtCO2 elevado, com aumento ao longo dos ciclos, padrão que representa melhor a hipoventilação alveolar da paciente. A morfologia inclinada do platô é ainda compatível com limitação ao fluxo expiratório associada à DPOC.
D) Incorreta. O EtCO2 diminui progressivamente entre os ciclos, padrão que sugere aumento da ventilação minuto ou redução progressiva da entrega de CO2 aos pulmões, como pode ocorrer com queda de perfusão. Isso contraria a bradipneia e a tendência à retenção de CO2 do caso.