Luiz tem 27 anos de idade e é muito conhecido na sua UBS, pois comparece ao acolhimento semanalmente com diversas queixas como epigastralgia, palpitações, cefaleia, insônia e fadiga. Todos os exames de sangue e eletrocardiogramas vieram normais. Em reunião de equipe, a médica decide marcar uma consulta para Luiz e entender o que está acontecendo. "Doutora, sinto muita fadiga o tempo inteiro, falta de energia mesmo, muito sono o dia inteiro, além disso vira e mexe meu peito dói, parece que estou sufocado, e é só comer qualquer coisa que já dói o estômago". Ao perguntar sobre a rotina, Luiz conta que esta trabalhando como motorista de aplicativo 14 horas por dia. Esta com dívidas contraídas durante a pandemia de coronavírus e tem recebido diariamente ligações de cobradores. Os problemas financeiros tem atrapalhado seu relacionamento com a esposa e com seu filho, que tem um problema grave de audição. Para economizar dinheiro, Luiz pula o almoço e se alimenta com "qualquer besteira". Toma muito café para "enganar a fome e o cansaço". Durante a consulta, Luiz parecia ansioso. Exame físico sem alterações. Não fuma e não tem nenhum antecedente clínico. Ao compreender a historia de Luiz, a médica orienta que os sintomas podem estar relacionados à sobrecarga de trabalho e conversa sobre maneiras de reduzir a jornada. Marca uma consulta com a assistente social para verificar a elegibilidade do filho de Luiz para benefícios sociais.
A pegadinha é colocar diagnóstico no campo errado. S é o que a pessoa relata; O é o que o profissional observa.
A é a síntese interpretativa, não mera repetição das queixas.
P reúne intervenções, encaminhamentos, orientações e seguimento.
Não transforme sofrimento social em diagnóstico psiquiátrico sem preencher critérios clínicos.
A prova que você vai prestar tem cara própria. Tem tema que cai todo ano e tema que nunca apareceu, e decidir isso no improviso custa as semanas que você não tem.
O MedBoard começa pelo outro lado. Ele pesa cada tema pela banca que você vai prestar, monta o cronograma a partir disso e guarda o que você errou para devolver na hora certa.
Criar conta grátis
Contexto
O método SOAP organiza o registro clínico em quatro campos: Subjetivo, Objetivo, Avaliação e Plano. Ele não é uma lista aleatória de informações. Cada dado deve ser colocado conforme sua origem e sua função no raciocínio clínico.
O caso não fornece elementos suficientes para diagnosticar transtorno de ansiedade generalizada. Há sintomas somáticos e ansiedade em contexto de jornada extenuante, insegurança financeira, privação alimentar, consumo excessivo de cafeína e dificuldades familiares. A avaliação deve registrar esses problemas sem transformar prematuramente sofrimento contextual em transtorno psiquiátrico.
A alternativa B é a melhor disponível porque respeita a sequência do SOAP e inclui os determinantes sociais identificados na avaliação. Embora pudesse ser mais completa, ela evita um diagnóstico não sustentado e vincula o plano às necessidades concretas do paciente.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Sobrecarga de trabalho é uma interpretação clínica e contextual, não uma queixa subjetiva isolada. Além disso, transtorno de ansiedade generalizada não pode ser firmado apenas pela aparência ansiosa e por sintomas somáticos, sem critérios de duração, amplitude e prejuízo devidamente avaliados.
B) Correta (gabarito). Fadiga e dor no peito pertencem ao relato subjetivo; exame físico normal é dado objetivo; sobrecarga laboral e problemas financeiros compõem a avaliação; escuta e consulta com a assistente social fazem parte do plano.
C) Incorreta. A aparência ansiosa pode ser registrada no objetivo, mas a avaliação fica reduzida a sintomas ansiosos e omite os principais fatores explicativos encontrados: trabalho de 14 horas, dívidas, alimentação inadequada e tensão familiar.
D) Incorreta. A distribuição inicial é possível, mas a avaliação volta a se limitar a sintomas ansiosos. O valor da consulta foi justamente compreender que as queixas estavam inseridas em sobrecarga laboral e vulnerabilidade financeira.