Mulher, 37 anos de idade, sem comorbidades, foi submetida à ultrassonografia de abdome total durante investigação de infertilidade. O exame demonstrou vesícula biliar com dimensão e parede de espessura normais com múltiplos microcálculos. Após o resultado do exame, foram realizados os seguintes exames laboratoriais:
Pegadinha: a regra é observar cálculo assintomático; a questão cobra microlitíase como exceção.
Cálculos pequenos migram mais facilmente e estão associados a pancreatite biliar.
Idade jovem isoladamente não indica colecistectomia.
A recomendação profilática para microlitíase assintomática não é consensual entre diretrizes.
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Contexto
A regra geral para cálculos vesiculares incidentais e assintomáticos é acompanhamento clínico, pois o risco anual de sintomas ou complicações costuma ser baixo e a colecistectomia profilática não aumenta a expectativa de vida na maioria das pessoas. As diretrizes EASL e SAGES não consideram colelitíase assintomática, isoladamente, indicação rotineira de cirurgia.
A questão trata a microlitíase múltipla em paciente jovem e de baixo risco cirúrgico como exceção. Cálculos pequenos têm maior facilidade de migrar pelo ducto cístico e alcançar o colédoco e a papila, podendo causar pancreatite biliar. Revisões cirúrgicas brasileiras recentes admitem discutir colecistectomia profilática nesse subgrupo, embora a evidência seja limitada e essa não seja uma recomendação universal.
A idade jovem aumenta o tempo de exposição ao risco ao longo da vida e reduz o risco operatório, mas não é, sozinha, indicação cirúrgica. A GGT discretamente elevada, sem bilirrubina ou fosfatase alcalina alteradas e sem dilatação descrita, não demonstra coledocolitíase e não justifica colangiorressonância de rotina.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Seguimento é a conduta geral para colelitíase assintomática, mas o gabarito considera a microlitíase múltipla uma situação de maior risco de migração e pancreatite.
B) Incorreta. Ausência de comorbidades reduz risco cirúrgico, mas não é justificativa para observação; na lógica da questão, ela torna a cirurgia profilática mais aceitável.
C) Incorreta. Colangiorressonância é indicada diante de probabilidade intermediária de cálculo no colédoco. Não há icterícia, colestase relevante ou dilatação da via biliar descrita.
D) Correta (gabarito). A banca indica colecistectomia pela microlitíase em mulher jovem, buscando prevenir migração e pancreatite. Deve-se reconhecer que diretrizes internacionais ainda favorecem observação na maioria dos assintomáticos e não adotam essa exceção de modo uniforme.