Mulher, 47 anos de idade, comparece à consulta ambulatorial de rotina. Ela refere que, há 6 semanas, esteve internada por colecistite calculosa aguda. Quando admitida no hospital, sentia apenas febre, calafrios e dor abdominal, mas uma glicemia capilar aleatória foi de 203 mg/dL. Durante a internação, teve complicações e precisou receber um concentrado de hemácias. Nesta consulta, nega quaisquer sintomas, o exame clínico é normal, exceto por estar hipocorada e apresenta exames realizados há 2 semanas: glicemia de jejum 133 mg/dL e hemoglobina glicada 5,4%.
Pegadinha: transfusão recente torna o A1c pouco confiável.
Glicemia aleatória acima de 200 mg/dL só fecha diagnóstico isoladamente com sintomas clássicos ou crise hiperglicêmica.
Na discordância, repita o teste alterado ou use outro critério plasmático confiável, como o TTGO.
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Contexto
Os critérios diagnósticos de diabetes incluem glicemia de jejum igual ou superior a 126 mg/dL, glicemia de duas horas no teste oral com 75 g de glicose igual ou superior a 200 mg/dL, hemoglobina glicada igual ou superior a 6,5% ou glicemia aleatória igual ou superior a 200 mg/dL acompanhada de sintomas clássicos ou crise hiperglicêmica. Sem hiperglicemia inequívoca, o resultado anormal precisa ser confirmado.
A glicemia aleatória de 203 mg/dL ocorreu durante colecistite complicada, sem poliúria, polidipsia ou perda ponderal, podendo refletir estresse. Depois, a glicemia de jejum de 133 mg/dL foi diagnóstica, porém isolada. A hemoglobina glicada de 5,4% não resolve a discordância porque transfusão recente e anemia alteram a relação entre glicemia e sobrevida eritrocitária. Os Standards of Care in Diabetes de 2026 orientam usar critérios plasmáticos quando há interferência no A1c. O teste oral de tolerância à glicose fornece confirmação independente e pode revelar diabetes pós-prandial não captado pelo A1c.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Não há sintomas clássicos associados à glicemia aleatória e existe apenas uma glicemia de jejum diagnóstica confiável. É necessária confirmação em nova amostra.
B) Incorreta. Repetir A1c apenas seis semanas após transfusão mantém o exame sujeito à influência das hemácias do doador e da anemia. O resultado pode estar falsamente baixo ou alto.
C) Correta (gabarito). O teste oral com 75 g de glicose é um critério diagnóstico válido e independente da hemoglobina transfundida. Glicemia de duas horas igual ou superior a 200 mg/dL confirmará diabetes.
D) Incorreta. A hiperglicemia da internação pode ter sido de estresse, mas não explica nem encerra a investigação de uma glicemia de jejum posterior de 133 mg/dL.