Homem, 64 anos de idade, internado na enfermaria. Ele tem hipertensão arterial sistêmica, diabetes melito tipo 2 e insuficiência cardíaca de fração de ejeção preservada. Ele foi admitido no pronto-socorro no dia anterior por conta de calafrios, febre e dor no flanco direito, sendo diagnosticado com cálculo ureteral e pielonefrite. Foi introduzida ceftriaxona e o paciente aguarda para passagem de duplo J pela equipe de urologia. A enfermagem aciona a equipe médica para reavaliá-lo e informa que já realizou um eletrocardiograma, apresentado a seguir:

Neste momento, o paciente queixa-se de dor no flanco direito de moderada intensidade e palpitações. Exame físico: PA de 110x70 mmHg, FC de 115 bpm, temperatura axilar de 37,6 °C, FR de 18 ipm, saturação de oxigênio 95%; bulhas cardíacas hiperfonéticas e sem sopros, enchimento capilar de 3 segundos; dor à palpação do flanco direito.
Pegadinha: taquicardia sinusal é um sinal; trate a causa, não o número.
Onda P antes de cada QRS e ritmo regular favorecem origem sinusal.
Pielonefrite obstrutiva exige antibiótico e descompressão urinária urgente, além do controle da dor.
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Contexto
O eletrocardiograma mostra taquicardia regular com onda P sinusal antes de cada QRS e frequência próxima de 115 bpm, compatível com taquicardia sinusal. Não há início súbito de taquicardia supraventricular paroxística nem ritmo sem ondas P que justifique manobra vagal ou antiarrítmico.
A taquicardia é uma resposta fisiológica à dor, infecção e possível hipoperfusão na pielonefrite obstrutiva. O paciente tem dor moderada no flanco, enchimento capilar de 3 segundos e foco infeccioso que ainda aguarda descompressão. A conduta é tratar os gatilhos: analgesia imediata, reavaliação volêmica e hemodinâmica, manutenção de antibiótico e drenagem urgente da obstrução. Entre as opções, dipirona atua no desencadeante mais evidente sem bloquear a compensação cardíaca.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Manobra vagal é indicada em taquicardias supraventriculares dependentes do nó atrioventricular. Não interrompe taquicardia sinusal causada por dor ou infecção.
B) Incorreta. Amiodarona é reservada a arritmias específicas, como determinadas taquicardias ventriculares ou atriais. O ritmo sinusal não deve ser suprimido com antiarrítmico.
C) Correta (gabarito). Dipirona trata a dor que contribui para a resposta adrenérgica. A frequência deve cair à medida que dor, infecção, perfusão e obstrução forem controladas.
D) Incorreta. Metoprolol reduz a frequência sem corrigir a causa e pode retirar uma resposta compensatória necessária em infecção, dor ou hipovolemia, além de favorecer hipotensão.