Você é médico(a) de uma equipe de Saúde da Família e está acompanhando a Agente Comunitária de Saúde (ACS) para conhecer o seu território. Você a acompanha na visita domiciliar para cadastro de um senhor que se mudou recentemente para a casa da filha, após um acidente vascular cerebral. Embora ele tenha dificuldade em responder, devido às limitações motoras, você percebe que a agente comunitária estabelece o seguinte diálogo com ele: ACS: Bom dia! Sou agente comunitária de saúde lá do postinho. Eu vou acompanhar o senhor enquanto estiver aqui na casa da sua filha, tudo bem? - O paciente faz um “ok” com o dedo. ACS: Preciso de algumas informações do senhor para o cadastro na UBS, o senhor prefere responder ou que eu pergunte para sua filha? - Com alguma dificuldade, ele responde que pode perguntar para a filha. A filha segue a conversa respondendo os dados sobre idade, trabalho e histórico da doença, entretanto, no momento de preencher a questão sobre raça/cor, a ACS se direciona a ele e pergunta. ACS: Como o senhor se identifica: preto, pardo, branco, indígena ou amarelo? - Paciente responde “branco” com alguma dificuldade.
Pegadinha: deficiência motora ou de fala não significa incapacidade de decidir.
A pessoa escolhe como será apoiada na comunicação; o familiar não substitui automaticamente sua vontade.
Raça ou cor é autodeclarada e deve ser perguntada ao próprio usuário sempre que possível.
A prova que você vai prestar tem cara própria. Tem tema que cai todo ano e tema que nunca apareceu, e decidir isso no improviso custa as semanas que você não tem.
O MedBoard começa pelo outro lado. Ele pesa cada tema pela banca que você vai prestar, monta o cronograma a partir disso e guarda o que você errou para devolver na hora certa.
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Contexto
A dimensão social da vulnerabilidade examina como relações de poder, preconceitos, normas e instituições ampliam ou reduzem a capacidade de proteção das pessoas. No caso, a ACS reconhece uma deficiência motora e comunicacional sem presumir incapacidade. Ela pergunta ao paciente se prefere responder ou indicar a filha, preservando autonomia, tempo de comunicação e decisão apoiada. Essa atitude enfrenta o capacitismo, que reduziria o sujeito à deficiência ou transferiria automaticamente sua voz ao familiar.
Ao perguntar raça ou cor diretamente ao paciente e oferecer as categorias padronizadas de autodeclaração, a ACS reconhece a dimensão do racismo na determinação social da saúde. Raça ou cor não deve ser atribuída pelo profissional com base na aparência quando o próprio usuário pode se autodeclarar. O dado permite identificar desigualdades, planejar políticas de equidade e monitorar discriminação institucional.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. O capacitismo está presente, mas acesso não é o segundo determinante enfatizado. A visita já ocorre e o diálogo destaca especificamente raça ou cor.
B) Correta (gabarito). A preservação da autonomia diante da deficiência aborda capacitismo, e a autodeclaração racial aborda racismo como determinante social e institucional.
C) Incorreta. Racismo está contemplado, porém não há imposição da cultura do profissional sobre outra cultura que caracterize etnocentrismo.
D) Incorreta. O caso não explora julgamento de práticas culturais nem barreira territorial de acesso. Os eixos discriminadores são deficiência e raça.