Puerpério normal e patológico

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Questão 90
USP-SP · 2025

Puérpera, 30 anos de idade, internada em alojamento conjunto, por desproporção céfalo-pélvica, no 2o dia pós-parto cesárea. Teve diabetes gestacional controlado com dieta, além de trombose venosa profunda 1 ano antes da gravidez, tendo feito uso de enoxaparina profilática durante a gestação, suspenso no parto. Logo depois do nascimento, não quis ver a criança, dizendo que estava muito cansada. No primeiro dia pós-parto, teve dificuldade na amamentação, permanecendo a maior parte do tempo no leito. No segundo dia pós-parto, apresentou-se com irritabilidade cada vez maior com o choro do recém-nascido, chegando a chutar o berço com a criança dentro, sob as vistas do marido e da enfermagem. Com o ocorrido, a criança foi afastada da mãe e encaminhada ao berçário. Em conversa reservada com a equipe, o marido revelou que a paciente passou a apresentar isolamento, alteração de sono, choro fácil e irritabilidade durante a gravidez.

Qual é a principal hipótese diagnóstica nesse momento?
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

A paciente já apresentava durante a gravidez isolamento, alteração do sono, choro fácil e irritabilidade, sugerindo episódio depressivo perinatal. No segundo dia pós-parto, surge comportamento gravemente desorganizado e agressivo contra o recém-nascido. A alternativa utiliza a expressão depressão psicótica, que deve ser entendida como episódio de humor grave com sintomas psicóticos no puerpério ou psicose puerperal.

A psicose puerperal costuma começar abruptamente nos primeiros dias ou semanas após o parto e pode incluir confusão, insônia intensa, agitação, irritabilidade, delírios, alucinações e comportamento imprevisível. Nem todos esses elementos precisam estar descritos para reconhecer a emergência quando já existe risco concreto ao bebê. A ACOG, em sua diretriz de saúde mental perinatal de 2023, classifica a psicose puerperal como emergência que requer ajuda psiquiátrica imediata e, em geral, hospitalização.

A prioridade é proteger mãe e criança: manter supervisão contínua, impedir contato não supervisionado com o recém-nascido, realizar avaliação psiquiátrica urgente e investigar causas orgânicas ou tóxicas. O tratamento costuma envolver antipsicótico e, conforme o fenótipo e o diagnóstico de base, estabilizador do humor ou eletroconvulsoterapia.

Alternativa por alternativa

A) Incorreta. Baby blues causa labilidade emocional, choro e irritabilidade leves, começa geralmente nos primeiros dias e regride em até duas semanas. Não provoca desorganização grave, psicose ou risco de agressão ao bebê.

B) Correta (gabarito). O comportamento perigoso e abruptamente desorganizado no puerpério, sobre sintomas depressivos prévios, caracteriza quadro puerperal grave com componente psicótico e necessidade de intervenção imediata.

C) Incorreta. Depressão puerperal pode causar tristeza, anedonia, culpa e dificuldade de vínculo, mas a agressividade extrema e o risco imediato ao recém-nascido exigem reconhecer um especificador psicótico ou psicose puerperal.

D) Incorreta. Transtorno de personalidade exige padrão persistente desde períodos anteriores e em múltiplos contextos. O caso descreve descompensação temporalmente relacionada à gestação e ao puerpério.

Bizu MedBoard
  • A pegadinha é chamar quadro perigoso de baby blues: risco para mãe ou bebê transforma o caso em emergência psiquiátrica.

  • Psicose puerperal costuma surgir precocemente e pode se manifestar por agitação, irritabilidade e desorganização, não apenas por delírios verbalizados.

  • Mãe e recém-nascido não devem permanecer juntos sem supervisão até avaliação e estabilização.

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Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Puerpério normal e patológico” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
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