Mulher, 24 anos de idade, queixa-se de irregularidade menstrual (ciclos com intervalo de 40 dias e duração de 3 dias), aumento de pelos faciais e acne persistente na face e no tronco há cerca de três anos. Refere dificuldade para perder peso. Ao exame clínico, apresentou bom estado geral, corada, hidratada, anictérica, acianótica e afebril; peso de 78 kg, altura 1,65 m e IMC de 27,5 kg/m2; PA de 120x80 mmHg; exame ginecológico com trofismo genital preservado, sem alterações. O exame da pele da face é apresentado na imagem a seguir:

A pegadinha é procurar um hormônio feminino: entre as opções, o fármaco que atua no androgênio é a finasterida, inibidora da 5-alfa-redutase.
Antiandrogênio em mulher com potencial reprodutivo exige contracepção eficaz por risco fetal.
Na prática atual, acne deve receber também tratamento dermatológico próprio; finasterida não é a primeira escolha rotineira isolada.
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Contexto
A acne da paciente integra o hiperandrogenismo da síndrome dos ovários policísticos. A di-hidrotestosterona, formada a partir da testosterona pela enzima 5-alfa-redutase, estimula a unidade pilossebácea e aumenta a produção de sebo. A finasterida inibe essa enzima e reduz a conversão periférica de testosterona em di-hidrotestosterona, sendo a única opção com ação antiandrogênica relevante entre as alternativas.
Há uma ressalva importante da prática atual: finasterida não costuma ser a primeira escolha isolada para acne feminina. A Diretriz Internacional de SOP de 2023 orienta considerar antiandrogênios quando a resposta ao contraceptivo combinado e ao tratamento dermatológico adequado for insuficiente, sempre com contracepção eficaz, devido ao risco de alteração da diferenciação genital de feto masculino. Espironolactona costuma ser mais utilizada para hiperandrogenismo; como não aparece nas opções, o raciocínio da prova leva à finasterida.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Estrona é um estrogênio e não constitui tratamento específico para acne hiperandrogênica. Seu uso isolado não bloqueia adequadamente a ação androgênica na glândula sebácea.
B) Correta (gabarito). A finasterida bloqueia a 5-alfa-redutase, reduz a formação de di-hidrotestosterona e pode diminuir manifestações periféricas do hiperandrogenismo. Deve ser usada fora da gestação e com contracepção segura.
C) Incorreta. Cabergolina reduz prolactina por agonismo dopaminérgico. Mesmo que a prolactina discretamente elevada mereça confirmação, isso não trata o mecanismo da acne hiperandrogênica.
D) Incorreta. Progesterona isolada não bloqueia de modo suficiente a conversão de testosterona em di-hidrotestosterona e não é tratamento específico para acne.