Atendimento inicial ao politraumatizado (ATLS)

Acesso diretoComentada pelo MedBoard
Questão 59
USP-SP · 2025

Homem, 47 anos de idade, foi vítima de queda de andaime de 6 metros de altura. No atendimento pré-hospitalar, encontrava-se inconsciente, com PA de 90x60 mmHg e FC de 110 bpm. Foi realizada a intubação orotraqueal e infusão de 500 mL de cristaloide. Na admissão no Centro de Trauma, encontrava-se: A: Intubado com saturação de oxigênio de 97%. B: MV presente e sem deformidades no tórax. C: PA de 90x60 mmHg; FC de 120 bpm; FAST com líquido no espaço hepatorrenal. D: Sedação. Escala de coma de Glasgow de 3. Deformidade frontal. E: Sem alterações. A equipe médica iniciou a reanimação volêmica com 3 concentrados de hemácias, 3 bolsas de plasma fresco congelado e uma aférese de plaquetas.

Qual das alternativas a seguir apresenta os fatores que justificam a reanimação volêmica realizada neste caso?
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

O paciente permanece hipotenso e taquicárdico após trauma de alta energia. O FAST identifica líquido livre no espaço hepatorrenal, que no contexto traumático representa hemoperitônio até prova em contrário. A combinação de pressão arterial de 90 por 60 mmHg e FAST positivo demonstra choque hemorrágico abdominal e justifica reanimação hemostática imediata.

A estratégia com concentrado de hemácias, plasma e plaquetas em proporção aproximada de 1:1:1 busca restaurar transporte de oxigênio e prevenir coagulopatia dilucional. Cristaloide em excesso deve ser evitado. Em paciente com traumatismo craniano suspeito, a pressão deve ser mantida suficiente para perfusão cerebral, mas o TCE não é a fonte habitual de choque hemorrágico isolado em adulto.

Hipotensão com FAST positivo também indica necessidade de controle urgente do sangramento, em geral laparotomia, após ou durante a ressuscitação. Transfusão não pode atrasar a hemostasia definitiva.

Alternativa por alternativa

A) Incorreta. Mecanismo de queda e deformidade craniana aumentam suspeita de lesão, mas não demonstram sangramento ativo nem necessidade de transfusão balanceada.

B) Incorreta. Hipotensão é um critério importante, mas traumatismo craniano isolado raramente explica choque hemorrágico. Falta identificar a fonte provável.

C) Correta (gabarito). FAST positivo fornece evidência de sangue intraperitoneal, e a hipotensão demonstra repercussão hemodinâmica. Juntos, justificam reanimação com hemocomponentes e cirurgia urgente.

D) Incorreta. FAST positivo em paciente estável poderia levar a tomografia. O que transforma o achado em indicação imediata de ressuscitação e controle cirúrgico é a instabilidade pressórica.

Bizu MedBoard
  • Pegadinha: TCE não costuma causar choque hemorrágico em adulto; procure outra fonte.

  • FAST positivo mais hipotensão equivale a hemorragia abdominal com repercussão até prova em contrário.

  • Reanimação hemostática usa hemocomponentes precoces e limita cristaloides.

  • Transfusão é ponte para controle do sangramento, não tratamento definitivo.

Estudar tudo por igual é o que faz o seu tempo não render.

A prova que você vai prestar tem cara própria. Tem tema que cai todo ano e tema que nunca apareceu, e decidir isso no improviso custa as semanas que você não tem.

O MedBoard começa pelo outro lado. Ele pesa cada tema pela banca que você vai prestar, monta o cronograma a partir disso e guarda o que você errou para devolver na hora certa.

Criar conta grátis
Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Atendimento inicial ao politraumatizado (ATLS)” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
Treinar este tema →