Mulher, 22 anos de idade, encaminhada ao ambulatório de nível terciário para investigação. Ela conta que, há 5 dias, está com tosse produtiva, febre e prostração. Descreve que desde os 15 anos de idade apresentou 3 episódios de sinusite por ano e teve um total de 3 episódios de pneumonia, sendo internada em uma das ocasiões. Já fez uso de diversos antibióticos. Além disso, tem diarreias aquosas agudas ou subagudas recorrentes, que pioram sua qualidade de vida. Nega doenças conhecidas ou uso de medicamentos. Ao exame clínico, apresentou PA de 110x70 mmHg, FC de 88 bpm, FR de 20 ipm, saturação de oxigênio 95%, temperatura axilar de 37,9 °C, descorada, dor à percussão dos seios frontais, congestão nasal, estertores grossos nas bases pulmonares e baço palpável a 2cm do rebordo costal esquerdo.
Pegadinha: imunodeficiência primária também pode se apresentar na vida adulta.
Sinusite e pneumonia recorrentes mais diarreia sugerem deficiência de anticorpos.
Comece por IgG, IgA e IgM; depois avalie resposta vacinal e subpopulações celulares.
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Contexto
Sinusites bacterianas repetidas, pneumonias, diarreia recorrente e esplenomegalia em adulta jovem formam o fenótipo clássico de imunodeficiência humoral. A principal hipótese é imunodeficiência comum variável, que costuma se manifestar após a infância com infecções sinopulmonares por bactérias encapsuladas, giardíase ou outras infecções gastrointestinais, bronquiectasias, autoimunidade e hiperplasia linfoide.
A investigação inicial é quantitativa: IgG, IgA e IgM. O diagnóstico de imunodeficiência comum variável exige redução persistente de IgG, geralmente associada a IgA baixa e por vezes IgM baixa, resposta deficiente a vacinas ou redução de células B de memória, além de exclusão de causas secundárias, como perda proteica, medicamentos, neoplasias linfoproliferativas e infecção pelo HIV. Citometria e testes funcionais vêm depois da triagem básica.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Anticorpos antinucleares investigam doenças autoimunes sistêmicas. Autoimunidade pode coexistir com imunodeficiência comum variável, mas não é o primeiro exame para infecções bacterianas recorrentes.
B) Correta (gabarito). A dosagem de IgG, IgA e IgM é o teste inicial de maior rendimento para detectar deficiência humoral e direcionar avaliação de resposta vacinal e subpopulações linfocitárias.
C) Incorreta. Aspirado de medula óssea seria indicado diante de suspeita de leucemia, linfoma com infiltração, aplasia ou citopenias inexplicadas. O hemograma e o padrão infeccioso não o colocam como primeira etapa.
D) Incorreta. Citometria de fluxo quantifica linfócitos B, T e NK e ajuda a classificar imunodeficiências, mas deve ser guiada pelo resultado das imunoglobulinas e pela hipótese clínica.