Homem, 35 anos de idade, previamente hígido, procura o pronto-socorro. Ele descreve que, há 2 semanas, apresentou febre alta, mialgia e dor retro-orbitária, sendo diagnosticado com dengue. Na semana seguinte, já não se queixava mais desses sintomas, mas surgiu fraqueza pelo corpo. Hoje, conta que tem dificuldade para deambular por fraqueza e formigamento nos membros inferiores, além de fraqueza nos braços. Ao exame neurológico, apresenta força grau 3 nos membros superiores e inferiores, reflexos miotáticos profundos ausentes nos 4 membros, sensibilidade vibratória diminuída distalmente nos membros inferiores e diparesia facial. O exame de líquor revelou um aspecto límpido e incolor, células 1/mm3, proteínas 150 mg/dL, glicose 70 mg/dL.
Pegadinha: saturação normal não exclui fraqueza ventilatória inicial; acompanhe capacidade vital.
Guillain-Barré mata principalmente por insuficiência respiratória e disautonomia.
Proteína alta com poucas células no líquor é dissociação albuminocitológica.
Diparesia facial é comum e reforça o diagnóstico.
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Contexto
Fraqueza simétrica progressiva após infecção, arreflexia nos quatro membros, parestesias, perda de sensibilidade vibratória e diparesia facial caracterizam síndrome de Guillain-Barré. O líquor apresenta dissociação albuminocitológica: proteína de 150 mg/dL com apenas 1 célula por mm3. Dengue pode atuar como gatilho infeccioso por resposta imune cruzada contra componentes dos nervos periféricos.
As complicações que ameaçam a vida são falência respiratória neuromuscular e disautonomia. A Diretriz EAN/PNS de Guillain-Barré de 2023 recomenda monitorização seriada da capacidade vital, força inspiratória, deglutição e sinais autonômicos. Capacidade vital abaixo de aproximadamente 20 mL/kg, queda rápida das medidas, tosse ineficaz ou disfunção bulbar indicam risco de ventilação. Disautonomia pode causar oscilações extremas de pressão, bradiarritmias, taquiarritmias, íleo e retenção urinária.
Alternativa por alternativa
A) Correta (gabarito). Fraqueza diafragmática pode evoluir silenciosamente para insuficiência respiratória, enquanto lesão autonômica produz instabilidade cardiovascular potencialmente fatal.
B) Incorreta. Insuficiência respiratória é frequente, mas meningoencefalite não é complicação típica de uma polirradiculoneuropatia periférica. Alteração de consciência exige outro diagnóstico.
C) Incorreta. Disautonomia é característica, porém crises epilépticas não fazem parte do espectro habitual porque o córtex cerebral não é o alvo da doença.
D) Incorreta. Crise epiléptica e meningoencefalite são manifestações do sistema nervoso central e não correspondem às complicações predominantes da síndrome de Guillain-Barré.