Mulher, 25 anos de idade, procurou recentemente uma Unidade Básica de Saúde na cidade de São Paulo, debilitada fisicamente, com queixa de febre, especialmente à tarde, astenia e tosse. Não sabe precisar exatamente há quanto tempo. Ela não é moradora da região, diz não ter residência fixa e que trabalha nas ruas próximas à Unidade como profissional do sexo. Relata ter diagnóstico de soropositividade para o HIV.
Pegadinha: adscrição territorial organiza seguimento, mas nunca autoriza recusar caso suspeito de doença transmissível.
Tosse e febre em pessoa com HIV exigem investigação rápida de tuberculose.
Consultório na Rua complementa o cuidado e a busca ativa, não substitui o acolhimento na UBS.
Controle de transmissão começa no primeiro contato, antes da confirmação laboratorial.
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Contexto
Febre vespertina, astenia, tosse e debilidade em pessoa vivendo com HIV configuram suspeita de tuberculose e exigem avaliação imediata. A ausência de residência fixa e a atividade nas ruas aumentam risco de perda de seguimento, atraso diagnóstico e transmissão comunitária. Territorialização organiza a Atenção Primária, mas não pode ser usada para negar acolhimento.
O PCDT de manejo da infecção pelo HIV em adultos de 2024 e as recomendações da OMS para tuberculose associada ao HIV orientam investigação rápida com teste molecular em amostra respiratória, radiografia de tórax e avaliação clínica. Dependendo do grau de imunossupressão e da disponibilidade, podem ser necessários teste de lipoarabinomanana urinária, culturas e pesquisa de doença extrapulmonar. Durante o atendimento, devem ser adotadas medidas de controle de transmissão, incluindo máscara para a paciente, ambiente ventilado e prioridade no fluxo.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Consultório na Rua pode ser parceiro essencial para busca ativa e continuidade, mas o encaminhamento não deve substituir a avaliação inicial nem transferir a responsabilidade do serviço procurado.
B) Incorreta. Pronto atendimento é indicado se houver instabilidade ou necessidade hospitalar, porém simplesmente redirecionar fragmenta o cuidado e pode aumentar a perda de seguimento.
C) Incorreta. A paciente já relata diagnóstico de HIV, e o problema urgente é a suspeita de tuberculose. Não se deve aguardar sorologias para iniciar investigação clínica e microbiológica.
D) Correta (gabarito). A UBS deve acolher, avaliar e iniciar investigação imediatamente, independentemente da área de residência, pela relevância clínica, epidemiológica e social do caso.