Paciente de 10 meses de idade, previamente hígido, é levado ao pronto atendimento com história de febre de até 39 °C há dois dias. Responsável refere que não está aceitando nenhum alimento sólido desde o início do quadro febril, apenas seio materno. Apresenta cerca de 4 diureses por dia. Ao exame físico, encontra-se em bom estado geral, mantendo mucosas úmidas, sem alterações cardíaca, pulmonar e abdominal; otoscopia e oroscopia conforme imagens a seguir:

A pegadinha é internar pela recusa de sólidos: o que decide gravidade é a capacidade de hidratação.
Vesículas ou úlceras no palato posterior e pilares tonsilares sugerem herpangina.
Antibiótico não trata enterovírus; analgesia facilita a ingestão oral.
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Contexto
O lactente está em bom estado geral, mantém mucosas úmidas, aceita leite materno e apresenta cerca de quatro diureses ao dia. As imagens mostram membranas timpânicas sem abaulamento purulento típico de otite média aguda e orofaringe eritematosa com pequenas lesões vesiculares ou ulceradas posteriores, padrão compatível com herpangina por enterovírus.
Herpangina causa febre, odinofagia e recusa de alimentos sólidos, mas costuma ser autolimitada. O tratamento é hidratação, aleitamento frequente e analgesia simples em dose adequada ao peso. Antibióticos não reduzem duração nem complicações. A principal avaliação no pronto atendimento é distinguir dor ao engolir de incapacidade de hidratar-se.
Os sinais que exigem retorno incluem redução importante da diurese, ausência de lágrimas, boca seca, recusa também do leite, prostração progressiva, dificuldade respiratória, convulsão ou febre persistente além do curso esperado.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Penicilina benzatina trata faringite estreptocócica confirmada ou fortemente suspeita. Essa etiologia é incomum aos 10 meses e não produz o padrão vesicular posterior mostrado.
B) Correta (gabarito). A criança está hidratada, aceita seio materno e apresenta quadro viral autolimitado. Pode receber alta com analgésico, orientação de hidratação e sinais de alerta.
C) Incorreta. Não há desidratação, choque ou incapacidade de ingerir líquidos que indiquem soro de manutenção. Coleta de urina pode ser considerada em febre sem foco, mas as lesões orais fornecem foco clínico e a criança está estável.
D) Incorreta. Não há otite bacteriana complicada nem infecção sistêmica que justifique amoxicilina com clavulanato endovenoso. A recusa isolada de sólidos não é indicação de internação quando o aleitamento e a diurese estão preservados.