Lactente previamente hígido comparece à primeira consulta médica aos 2 meses de idade. Ao exame clínico, nota-se que o testículo direito não é palpável no escroto nem no canal inguinal. O testículo esquerdo encontra-se tópico. Não há outras alterações no exame físico.
A pegadinha é solicitar ultrassom para encontrar o testículo: imagem não é recomendada antes do especialista.
Aos 2 meses, observar; persistência aos 6 meses corrigidos exige encaminhamento.
Orquidopexia deve ser concluída idealmente até 12 meses e, no máximo, até 18 meses.
Dois testículos não palpáveis com ambiguidade genital constituem urgência diagnóstica endócrina.
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Contexto
O lactente tem criptorquidia unilateral com testículo direito não palpável, mas está com apenas 2 meses. Parte dos testículos que não estavam no escroto ao nascimento ainda desce espontaneamente nos primeiros meses, sobretudo até 3 meses de idade corrigida. Após 6 meses, a descida espontânea torna-se improvável.
A Diretriz da American Urological Association de 2025 recomenda encaminhar ao especialista os lactentes cujo testículo não tenha descido até 6 meses de idade corrigida. A orquidopexia deve ser realizada nos meses seguintes, idealmente entre 6 e 12 meses e, no máximo, até 18 meses, para preservar potencial germinativo e facilitar seguimento.
Ultrassonografia não deve ser solicitada antes do encaminhamento, pois tem baixa capacidade de localizar testículo intra-abdominal e raramente modifica a conduta. Avaliação endócrina e genética é urgente quando ambos os testículos são não palpáveis, especialmente se houver hipospádia ou ambiguidade genital, o que não ocorre neste caso.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. O encaminhamento cirúrgico será necessário se a criptorquidia persistir aos 6 meses de idade corrigida. Aos 2 meses, ainda há possibilidade real de descida espontânea.
B) Incorreta. Endocrinologia é prioritária em testículos bilateralmente não palpáveis ou sinais de diferença do desenvolvimento sexual. A ausência unilateral isolada não exige essa avaliação inicial.
C) Correta (gabarito). A conduta neste momento é observar e repetir o exame nas consultas seguintes, documentando a posição testicular e encaminhando se não houver descida até 6 meses corrigidos.
D) Incorreta. Ultrassonografia de bolsa e abdome não localiza com segurança o testículo não palpável e não deve atrasar a avaliação cirúrgica quando ela se tornar indicada.