Avaliação da vitalidade fetal

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Questão 93
USP-SP · 2025

Adolescente, 15 anos de idade, primigesta, comparece ao pré-natal com 34 semanas de gravidez. Está bem, sem queixas. Refere boa movimentação fetal. Ao exame clínico, bom estado geral, corada, normotensa, abdome gravídico, altura uterina 26 cm, BCF presente e rítmico. Em ultrassonografia realizada, o peso fetal estimado foi de 1.870 g, percentil 7, feto normotônico, movimentos corpóreos e respiratórios presentes, índice de líquido amniótico 9 cm. Dopplervelocimetria de artéria umbilical e de artéria cerebral média, conforme imagens a seguir:

Figura da questão 93 da USP-SP 2025
Figura da questão

Na ausência de trabalho de parto, a programação obstétrica recomendada é:
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

O peso fetal estimado está no percentil 7, portanto abaixo do percentil 10. A artéria umbilical mantém fluxo diastólico, com índice de pulsatilidade de 1,05, e a artéria cerebral média apresenta índice de pulsatilidade de 2,16, sem padrão de vasodilatação cerebral. O líquido amniótico é normal e os movimentos, o tônus e a respiração fetal estão preservados. O quadro corresponde a feto pequeno para a idade gestacional ou restrição de crescimento tardia sem evidência Doppler de insuficiência placentária.

A questão considera esse feto estável e mantém acompanhamento até 40 semanas, por isso o gabarito D deve ser preservado. Não há indicação de interrupção imediata aos 34 semanas, pois não existem fluxo diastólico ausente ou reverso, oligoidrâmnio, deterioração da vitalidade ou peso abaixo do percentil 3.

Há divergência explícita com a recomendação atual. A Consult Series 52 da Society for Maternal-Fetal Medicine, publicada em 2020 e reafirmada em 2024, recomenda parto entre 38 e 39 semanas quando o peso está entre os percentis 3 e 10 e o Doppler da artéria umbilical é normal. Assim, nenhuma alternativa representa exatamente a conduta contemporânea: 37 semanas é precoce para este padrão e 40 semanas é mais tardio que o recomendado hoje. O item D corresponde ao referencial usado pela prova.

Alternativa por alternativa

A) Incorreta. Indução imediata aos 34 semanas expõe o recém-nascido à prematuridade sem sinais de deterioração fetal que justifiquem esse risco.

B) Incorreta. Peso abaixo do percentil 10 não é indicação isolada de cesariana. A via depende das condições obstétricas e do estado fetal, e o Doppler não mostra comprometimento grave.

C) Incorreta. Parto com 37 semanas costuma ser reservado a restrição grave, peso abaixo do percentil 3 ou aumento da resistência na artéria umbilical sem fluxo ausente ou reverso. A prova descreve Doppler normal.

D) Correta (gabarito). No referencial do enunciado, a vitalidade e os Dopplers preservados permitem acompanhamento até 40 semanas. Pela recomendação atual da SMFM, a programação seria antecipada para 38 a 39 semanas.

Bizu MedBoard
  • A pegadinha é interromper imediatamente todo feto abaixo do percentil 10: Doppler e vitalidade definem a urgência.

  • Peso entre percentis 3 e 10 com artéria umbilical normal não exige parto prematuro.

  • Atualização de prova: a SMFM recomenda 38 a 39 semanas nesse cenário, embora o gabarito histórico mantenha 40 semanas.

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Bia
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